Receita Federal desarticula esquema bilionário de sonegação no setor de combustíveis
Data: 27 de novembro de 2025
A Receita Federal deflagrou nesta quinta-feira (27) uma das maiores operações contra sonegação fiscal dos últimos anos. A Operação Poço de Lobato tem como alvo principal o Grupo Fit, dono da refinaria de Manguinhos no Rio de Janeiro, e busca desmantelar um esquema milionário de evasão fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Os números impressionam e revelam a dimensão do rombo causado aos cofres públicos. O Grupo Fit acumula débitos superiores a R$ 26 bilhões, tornando-se oficialmente o maior devedor do país. Para se ter uma ideia da magnitude, esse valor equivale ao orçamento anual de vários estados brasileiros.
A investigação descobriu que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano através de uma complexa rede que incluía empresas próprias, fundos de investimento e empresas fantasmas no exterior. Desse montante astronômico, mais de R$ 10,2 bilhões já foram bloqueados pela Justiça.
Operação de grande escala mobiliza cinco estados
A ação desta quinta mobilizou um verdadeiro exército de investigadores. Foram cumpridos 126 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. A operação conta com apoio do Ministério Público de São Paulo, secretarias estaduais e municipais de fazenda, além das polícias Civil e Militar.
Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, não escondeu a satisfação com os resultados: “Estamos tratando de um dos maiores devedores contumazes do Brasil, com esquema de lavagem de dinheiro, de evasão de divisas e ocultação de patrimônio”.
A sofisticada engenharia financeira do crime
O esquema revelado pelas investigações mostra um nível de sofisticação impressionante. O Grupo Fit utilizava mais de 15 offshores nos Estados Unidos para lavar dinheiro e ocultar patrimônio. Inicialmente, os investigadores suspeitavam do uso de 17 fundos de investimento, mas as diligências desta quinta revelaram que o número real ultrapassa os 50 fundos.
“Imaginávamos que utilizavam também 17 fundos de investimento, mas com as diligências de hoje já descobrimos que são mais de cinquenta fundos usados para ocultar o beneficiário final”, revelou Barreirinhas durante coletiva de imprensa.
Combustível adulterado e refinaria interditada
A investigação não se limita apenas à sonegação fiscal. O Grupo Fit já havia sido alvo da Operação Cadeia de Carbono, que resultou na apreensão de quatro navios e 180 milhões de litros de combustível. As irregularidades descobertas levaram a Agência Nacional do Petróleo (ANP) a interditar a refinaria de Manguinhos.
Entre as irregularidades encontradas estão:
- Importação com falsa declaração de conteúdo
- Ausência de evidências do processo de refino
- Adulteração de combustíveis com produtos químicos não autorizados
Uma rede criminosa da importação ao posto
O esquema fraudulento envolvia toda a cadeia produtiva do setor de combustíveis. Desde formuladoras e distribuidoras até postos de gasolina, todas as empresas ligadas ao Grupo Fit participavam da negação sistemática de tributos, segundo as investigações.
Para Barreirinhas, combater essas estruturas é fundamental: “O combate não pode ser só lá na ponta, no varejo. Precisa ser nessas estruturas financeiras que corroem a segurança pública do Brasil, que corroem as estruturas do estado que combatem as organizações criminosas”.
O impacto na economia e nos consumidores
Esquemas como este não afetam apenas os cofres públicos. A sonegação fiscal no setor de combustíveis cria uma concorrência desleal que prejudica empresas honestas e, em última instância, impacta o consumidor final. Quando uma empresa sonega bilhões em impostos, ela consegue praticar preços artificialmente baixos, quebrando a concorrência leal.
A Operação Poço de Lobato representa um marco no combate à sonegação fiscal organizada no Brasil. Com R$ 26 bilhões em dívidas, o Grupo Fit simboliza como grandes estruturas criminosas podem operar por anos sugando recursos que deveriam financiar saúde, educação e infraestrutura.
A ação desta quinta mostra que, mesmo diante de esquemas sofisticados envolvendo offshores e dezenas de fundos de investimento, a Receita Federal tem capacidade técnica e determinação política para enfrentar os grandes sonegadores do país.
(Com informações da Agência Brasil)




