O golpe continua: Câmara aprova perdão a condenados por tentar golpe e tramar assassinatos
Data: 10 de dezembro de 2025
Não se engane. O que a Câmara dos Deputados aprovou na calada da noite não foi um simples ajuste de penas. Foi a continuação da tentativa de golpe de estado, executada com a frieza de quem conspira contra a própria nação. Foi um ato de traição que concedeu um perdão disfarçado àqueles condenados por tentarem dar um golpe de estado e tramarem o assassinato do presidente da República e outras autoridades.
Por 291 votos, uma maioria parlamentar decidiu que atentar contra a vida de líderes eleitos e planejar o fim da democracia pode, sim, ter um belo desconto. O projeto, que agora segue para o Senado, é a prova material de que a intentona golpista de 8 de janeiro não acabou. Ela apenas mudou de tática, trocando os quartéis pelo plenário.
A manobra é um insulto à inteligência do povo brasileiro. Sob a relatoria do deputado Paulinho da Força, o texto original de anistia total foi maquiado. Agora, em vez de perdoar abertamente, a nova regra determina que os crimes de tentativa de golpe e de abolição do Estado Democrático de Direito não terão as penas somadas. Na prática, os criminosos ganham um “dois por um”.
Essa contabilidade criativa beneficia diretamente a cúpula do plano golpista. Jair Bolsonaro, os generais Walter Braga Netto e Augusto Heleno, o almirante Almir Garnier e o ex-ministro Anderson Torres, todos condenados por conspirar contra a República, verão suas penas despencarem. A pena de Bolsonaro em regime fechado, por exemplo, pode ser reduzida a uma fração do que foi determinado pela Justiça.
A generosidade com os inimigos da democracia não se limita a isso. O projeto ainda escancara as portas das prisões ao facilitar a progressão de regime. O tempo mínimo no regime fechado para crimes cometidos com violência, como é o caso da tentativa de golpe, foi drasticamente reduzido. A mensagem é clara: o crime compensa, desde que seja cometido pela extrema-direita e contra o povo.
O mais sórdido é que, para beneficiar os golpistas, a lei foi alterada de forma tão grosseira que pode acabar ajudando criminosos condenados por outros delitos graves, como favorecimento da prostituição. Um efeito colateral que expõe o tamanho do descaso com a legislação e a segurança da população. Tudo em nome de salvar a pele dos aliados golpistas. Uma noite triste para a democracia.
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Enquanto isso, a multidão que serviu de massa de manobra nos atos de 8 de janeiro também recebe seu agrado, com a possibilidade de redução de até dois terços da pena. Uma forma de manter a base mobilizada e grata.
A oposição ainda tentou, em vão, frear a aprovação da infâmia. Todos os seus esforços para remover os trechos mais escandalosos do projeto foram derrotados. A maioria já tinha seu veredito.
O que assistimos na Câmara dos Deputados foi um dos capítulos mais vergonhosos da nossa história. Não foi um debate legislativo, foi a oficialização da impunidade. O golpe não foi derrotado; ele está em curso, agora com a bênção de parlamentares que deveriam defender a Constituição, mas que escolheram perdoar aqueles que tramaram a morte e a ditadura.




