Portal do Ricardo Mello

O golpe de Motta: como a barbárie e a censura tomaram a Câmara

Data: 10 de dezembro de 2025

A democracia brasileira não morreu em 8 de janeiro. Ela vem sendo assassinada aos poucos, em prestações, e a Câmara dos Deputados, sob a batuta de um ditadorzinho sem envergadura, se tornou o palco principal deste crime. A noite de ontem não foi apenas um ataque; foi a instauração de um estado de exceção dentro da casa que deveria ser do povo, um espetáculo de barbárie que nos envergonha e nos alerta.

O roteiro da truculência começou quando Hugo Motta, na cadeira que deveria zelar pela liturgia democrática, decidiu que a transparência era um estorvo. Para ocultar a violência contra o deputado Glauber Braga, não hesitou em censurar o país: expulsou jornalistas do plenário e mandou cortar o sinal da TV Câmara. O objetivo era claro: criar uma bolha de impunidade, um buraco negro informativo onde a agressão pudesse ocorrer sem testemunhas.

Mas a escalada autoritária não parou por aí. Do lado de fora, a imprensa, pilar de qualquer regime que se pretenda democrático, tornou-se o alvo. A polícia legislativa, transformada em milícia particular do presidente da Casa, partiu para cima dos profissionais que tentavam documentar a vergonha. As cenas são de embrulhar o estômago e evocam os porões da ditadura militar: jornalistas com cabelos puxados, profissionais jogados ao chão, empurrados e imobilizados. Nem o general Figueiredo, em seus momentos de maior destempero, ousou ser tão abertamente truculento contra a imprensa em pleno Congresso Nacional.

A hipocrisia de Motta é gritante. Onde estava essa fúria repressiva quando a extrema-direita invadiu a mesa diretora e acampou no coração da Câmara? Naquela ocasião, a leniência foi a regra. Agora, contra a esquerda e a imprensa, a ordem é a truculência. A mensagem é clara: para os amigos golpistas, complacência; para a imprensa livre, a força bruta.

E para que serviu toda essa cortina de fumaça e violência? Para, na calada da noite, longe dos olhos do povo que traem, votar o perdão aos bandidos. Sim, bandidos. Aqueles condenados por planejar assassinatos de autoridades, incluindo o presidente da República, e por tentar um golpe de estado que mergulharia o Brasil no caos. O golpe, portanto, segue seu curso, agora com a caneta dos deputados.

Hugo Motta, acuado pela repercussão de seus atos, alega cinicamente não ter ordenado os ataques. Se isso for verdade, o que é duvidoso, a situação é ainda mais grave. Mostra um cidadão absolutamente incompetente, um presidente que não tem controle sobre a própria polícia, um líder sem a menor envergadura moral para comandar a Câmara dos Deputados. É um fantoche dos golpistas, seja por ação ou por omissão.

Depois de uma noite como esta, ainda se ofendem quando são chamados de “o pior Congresso da história”? Surpreendem-se com a hashtag de “Congresso inimigo do povo”? A verdade é que eles próprios se esforçam diariamente para merecer cada uma dessas classificações. Ontem, a Câmara dos Deputados não legislou. Ela agrediu, censurou e conspirou contra o Brasil. A noite foi de Hugo Motta, mas a vergonha é de todos nós.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × cinco =

Notícias relacionadas