Portal do Ricardo Mello

O fiasco de Washington: como Flávio Bolsonaro virou mendigo de selfie nos EUA

Eduardo e Flávio Bolsonaro

Data: 12 de janeiro de 2026

Tem coisa que você vê na política que parece roteiro de filme B, daqueles bem vagabundos mesmo. O senador Flávio Bolsonaro, filho número 01 do clã e agora pré-candidato ao Planalto, passou os últimos dias nos Estados Unidos numa missão que, se não fosse trágica, seria cômica. O rapaz foi para lá com um objetivo bem simples: conseguir uma foto. Uma única foto ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio.

O cara atravessa o oceano, gasta uma grana, mobiliza assessores, tudo para conseguir uma selfie que pudesse postar nas redes sociais e dizer para a militância “olha aqui, gente, eu ainda sou amiguinho do Trump”. Mas sabe o que aconteceu? Ele voltou de mãos abanando. Completamente ignorado. E o motivo, segundo as informações que vazaram, é de chorar de rir: o governo americano estava ocupado demais.

O jornal O Globo destrinchnou essa história e mostrou que a necessidade dessa foto não era turismo político. Era desespero mesmo. A família Bolsonaro está numa sinuca de bico danada e precisa provar para a base que ainda tem o selo de qualidade da extrema-direita internacional, principalmente depois daquela aproximação estranha que fizeram com o Lula recentemente.

É como aquele sujeito que briga com a turma do prédio e sai correndo para mostrar no grupo da família que ainda é amigo do síndico. Patético, mas revelador. Eles sabem que perderam força, sabem que a popularidade despencou, e agora estão correndo atrás de qualquer coisa que possa dar uma lustrada na imagem.

O fracasso foi tão grande que até dentro do próprio ninho bolsonarista começaram as críticas. A galera mais esperta do movimento percebeu que essa tentativa só serviu para falar para a mesma bolha de sempre e ainda por cima reforçou a imagem radical do Eduardo Bolsonaro, que é o irmão especialista em passar vergonha no exterior.

Mas a história fica ainda mais saborosa quando a gente descobre o que rolou nos bastidores. Flávio teve uma conversa reservada com o Eduardo, e nessa conversa ele entregou um recado direto do papai. Jair Bolsonaro, lá de Brasília onde está preso, mandou as ordens: os filhos precisam parar de brigar entre si, se unir em torno do nome do Flávio e, principalmente, parar de arrumar confusão com o Centrão.

É a política brasileira na sua essência mais pura: o patriarca, da cadeia, organizando a sucessão familiar e garantindo que os acordos de sempre sejam mantidos. Porque no fim das contas, o bolsonarismo sempre foi isso: um projeto de poder familiar disfarçado de movimento político.

E aí que vem a parte mais hilária de toda essa novela. O Flávio recebe a ordem expressa de não irritar o Centrão, concorda com tudo, e na primeira oportunidade que tem, numa entrevista, solta que o Eduardo é “um craque nas relações internacionais”. Imagina a gargalhada dos caciques do Centrão quando ouviram isso. O mesmo Eduardo que não consegue nem agendar uma foto para o irmão sendo chamado de craque em diplomacia.

Agora o Flávio planeja voltar aos Estados Unidos até abril, mas dessa vez com uma estratégia diferente. Ele quer dar uma de moderado, de “direita civilizada”, e para isso está pensando em levar o Tarcísio de Freitas junto. É a confissão de que sozinho ele não se sustenta. Precisa de uma bengala, de alguém que o apresente como palatável para o eleitorado que não engole mais o radicalismo.

O que essa viagem patética nos mostra não é só o fracasso de um senador. É o retrato de um movimento político em decomposição, que vive de nostalgia e performance, que precisa de validação externa porque não tem absolutamente nada de concreto para oferecer ao Brasil.

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam o desemprego, a carestia e a falta de perspectiva, a grande preocupação da nossa extrema-direita é conseguir uma selfie em Washington. É a prova definitiva de que esse pessoal vive numa bolha completamente desconectada da realidade do país, brigando entre si pelos restos de um poder que se esvai a cada dia que passa.

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