Portal do Ricardo Mello

O Brasil entra no Oscar 2026 com 5 indicações e Wagner Moura faz história

Data: 22 de janeiro de 2026

Quando a Academia de Artes Cinematográficas anunciou os indicados ao Oscar 2026 nesta quinta-feira, o Brasil não apenas entrou na disputa. Entrou com os dois pés na porta. Cinco indicações. Recorde absoluto. E não é qualquer recorde, é aquele que faz você parar e pensar: pera aí, como a gente chegou aqui?

“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, é o grande responsável por essa festa. O filme conquistou quatro indicações de uma vez: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco (categoria nova no Oscar, aliás) e Melhor Ator para Wagner Moura. Enquanto isso, Adolpho Veloso entrou na briga pela Melhor Fotografia com “Sonhos de Trem”, completando o quinteto brasileiro.

Agora, para você entender por que isso importa tanto, preciso contar um pouco de história. Lá em 2002, “Cidade de Deus” chegou com quatro indicações e foi considerado o pico do cinema brasileiro no Oscar. Vinte e quatro anos depois, “O Agente Secreto” não só iguala esse número como abre caminho para mais uma indicação brasileira. Essa é a prova de que investimento em cultura é indispensável.

Mas tem algo ainda mais importante aqui. Wagner Moura virou o primeiro ator brasileiro indicado na categoria de Melhor Ator. Não em categoria técnica, não em filme internacional. Na principal. Aquela que todo mundo assiste. Ele está na disputa ao lado de nomes como Timothée Chalamet, Leonardo DiCaprio e Michael B. Jordan. E não é por acaso. Moura já venceu o Globo de Ouro de melhor ator em drama, consolidando uma performance que os críticos não conseguem parar de comentar.

Vamos ser honestos: o cinema brasileiro não chegou aqui do nada. Isso é resultado de anos de investimento, de cineastas que insistiram em contar histórias brasileiras com qualidade internacional, de produtoras que apostaram em projetos ambiciosos. E 2025 já tinha dado um sinal disso quando “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, conquistou o primeiro Oscar brasileiro na categoria de Melhor Filme Internacional. Agora, em 2026, a gente vê que aquilo não foi um acaso. Foi o começo de algo.

“O Agente Secreto” compete em um campo bastante acirrado. Na categoria de Melhor Filme, enfrenta gigantes como “Pecadores”, que lidera com 16 indicações no total. Na de Melhor Filme Internacional, é apontado como favorito, mas tem que passar por produções de Noruega, França, Espanha e Tunísia. Adolpho Veloso, na Melhor Fotografia, disputa com filmes que também têm orçamentos e estruturas de produção robustas.

O que torna tudo isso ainda mais interessante é que essas indicações não vieram de filmes hollywoodianos com elenco brasileiro. Vieram de cinema brasileiro de verdade. De histórias que só fazem sentido porque são brasileiras. De diretores que entendem a complexidade do país e conseguem traduzir isso para a tela de um jeito que ressoa internacionalmente.

A cerimônia acontece em 15 de março em Los Angeles. Até lá, o setor audiovisual brasileiro vai viver em clima de celebração. Porque independentemente de quantas estatuetas voltarem para casa, o recado já foi dado: o cinema brasileiro está aqui, está competindo no mesmo nível e está ganhando espaço na conversa global.

Isso não é apenas sobre prêmios. É sobre reconhecimento. É sobre mostrar que histórias brasileiras importam. Que talentos brasileiros estão entre os melhores do mundo. E que quando você investe em cinema, quando você acredita em cineastas, quando você deixa que eles contem suas histórias do jeito que precisam ser contadas, o resultado fala por si.

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