Toffoli diz que caso Master pode ser enviado à 1ª instância após conclusão do inquérito
Data: 29 de janeiro de 2026
Pressionado pelo peso das evidências e pelo barulho das críticas que já não conseguia ignorar, o ministro Dias Toffoli resolveu, finalmente, ensaiar uma defesa. Em nota divulgada por seu gabinete nesta quinta-feira, o relator do caso Banco Master no STF acenou com a possibilidade de enviar as investigações para a primeira instância, mas só depois que tudo estiver devidamente investigado e “encerrado” sob seu manto.
É o clássico recuo estratégico. Toffoli tenta blindar suas decisões contra futuras nulidades, sob o argumento de que a manutenção do caso no Supremo agora evitaria alegações de violação do devido processo legal. Na prática, é o Judiciário tentando se explicar por caminhos que, para o cidadão comum, parecem labirintos desenhados sob medida.
O pano de fundo é incômodo. Toffoli tornou-se o centro de uma tempestade após decisões controversas e a revelação de indícios que ligam sua própria família ao dono do Master, Daniel Vorcaro. O caso, que nasceu na Justiça Federal, deu um salto acrobático para o Supremo graças a uma menção lateral a um deputado que sequer é investigado. Foi o pretexto perfeito para puxar o processo para Brasília, longe dos olhos das instâncias ordinárias.
Na tentativa de justificar o injustificável, o gabinete do ministro evoca a “absoluta necessidade” de proteger o Sistema Financeiro Nacional. Foi sob essa bandeira de urgência que Toffoli atropelou ritos, determinando acareações exóticas, como a que envolveu o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, uma figura técnica jogada no meio de um conflito de versões antes mesmo que contradições reais fossem apuradas.
Toffoli agora se escora no parecer favorável da PGR para validar sua competência no caso. É o jogo de espelhos de Brasília: uma mão lava a outra e ambas tentam limpar a imagem de um processo que nasceu sob suspeita de “forum shopping”, a escolha por conveniência do juiz que irá julgar.
A nota do ministro tenta passar a imagem de normalidade e rigor, afirmando que rejeitou pedidos de anulação e de “composição amigável”. Mas o que fica para a história não é o que o gabinete escreve, e sim a estranheza de um processo que sobe ao topo da pirâmide jurídica sem um motivo republicano claro, enquanto relações familiares e decisões atípicas dançam conforme a música do poder.
Toffoli promete descer o caso para a primeira instância no futuro. Resta saber o que sobrará das investigações quando elas finalmente saírem de suas mãos.




