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A temporada de Bolsonaro na Papudinha mostra que os livros continuam sendo seus maiores inimigos

Data: 30 de janeiro de 2026

A rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro no Papudinha parece mais um check-up de luxo do que o cumprimento de uma sentença pesada por tentar derrubar a democracia. O relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira detalha como o ex-capitão tem passado seus dias desde que foi para o xilindró em meados de janeiro.

Segundo informações divulgadas pelo site G1, entre uma caminhada e outra no pátio da unidade, o homem recebe atenção médica que muito brasileiro honesto não consegue nem em sonho. São pelo menos quatro visitas diárias de doutores para medir pressão e oxigenação, além de sessões de fisioterapia.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito da trama golpista, foi quem pediu essa radiografia do cotidiano do preso. O que chama a atenção no documento elaborado pela PM não é apenas a mordomia do atendimento médico integral garantido por decisão judicial. O fato que salta aos olhos é o desprezo total pelos livros. Mesmo com uma condenação de 27 anos e 3 meses nas costas, Bolsonaro não folheou uma página sequer para tentar diminuir seu tempo de estadia na cela.

Para quem não está por dentro das regras do jogo, o Conselho Nacional de Justiça permite que qualquer detento reduza quatro dias de pena para cada obra literária lida e resenhada. É uma chance de ouro para quem quer sair mais cedo do buraco. E a defesa de Bolsonaro solicitou autorização para essa remição de pena, mas parece que o capitão prefere gastar o tempo com médicos particulares e advogados.

Essa alergia aos livros não é novidade para quem acompanhou os quatro anos de um governo que tratava a cultura e a educação como inimigas públicas. Agora, no isolamento da Papudinha, essa postura ganha um contorno de ironia fina.

A Polícia Militar deixou claro que as visitas médicas servem apenas para avaliações clínicas de rotina. Enquanto isso, o relógio da justiça continua girando. Bolsonaro tem o direito de tentar anular dias de cárcere através da leitura, mas optou por ignorar a biblioteca.

É o retrato fiel de um líder que sempre apostou na força e no barulho. A conta da tentativa de golpe é alta e o tempo de sobra na cela poderia servir para alguma reflexão, mas pelo visto o capitão decidiu que aprender algo novo não faz parte do seu plano de retirada.

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