Portal do Ricardo Mello

Lula coloca Hugo Motta no bolso durante jantar em Brasília

O presidente da Câmara Hugo Motta

Data: 6 de fevereiro de 2026

Puxa uma cadeira e presta atenção porque a etiqueta do poder em Brasília é mais complexa que manual de instrução de foguete. Na última quarta-feira o presidente Lula ofereceu um jantar para os líderes da Câmara e o prato principal não foi a comida mas sim um recado muito bem dado para o presidente da Casa Hugo Motta. O encontro serviu para mostrar que na política o vento muda de direção mais rápido que humor de adolescente e quem ontem se sentia o dono da bola agora precisa pedir licença para jogar.

Segundo informações da coluna de Igor Gadelha no portal Metrópoles o clima do encontro foi de uma cortesia quase teatral. Lula fez questão de lembrar as turbulências que marcaram a gestão de Motta mas logo emendou um agradecimento pela aprovação de projetos que o governo considera fundamentais. O petista citou especificamente a vitória na proposta que aumenta a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Ao dizer que Motta pode contar com ele para o que precisar Lula não estava apenas sendo gentil. Ele estava avisando que agora as cartas estão com o Palácio do Planalto.

A análise de quem circula pelos bastidores do Congresso é clara e aponta que o jogo virou totalmente. Se até o ano passado o governo vivia de pires na mão implorando para Hugo Motta pautar qualquer projeto hoje a situação é inversa. O presidente da Câmara percebeu que sua sobrevivência política e seus planos familiares passam obrigatoriamente pelo gabinete presidencial. É a velha história de que ninguém quer ficar sozinho na chuva quando o governo tem o guarda-chuva mais largo do mercado.

O interesse de Motta nessa aproximação é puramente eleitoral e tem nome e sobrenome. Ele quer garantir seu próximo mandato de deputado e tentar a reeleição no comando da Câmara mas o plano maior envolve o pai dele Nabor Wanderley que é prefeito de Patos. Motta quer lançar o pai ao Senado pela Paraíba e sabe que no sertão paraibano o prestígio de Lula é o que decide a eleição. Como a disputa para o Senado terá outros nomes próximos ao governo o apoio oficial do Planalto se tornou o objeto de desejo da família Wanderley para não ficar pelo caminho.

Por causa dessa dependência eleitoral vimos brotar uma boa vontade repentina no presidente da Câmara. Motta já sinaliza que está pronto para pautar temas caros ao governo em 2026 como a regulamentação dos motoristas de aplicativo e o fim da escala 6×1. É impressionante como a necessidade de votos e o medo de perder espaço fazem as pautas sociais avançarem com uma velocidade que a convicção política nunca conseguiu imprimir.

O que vemos aqui é o puro pragmatismo de quem sabe que no Piauí ou na Paraíba o lulismo é uma força que não se pode ignorar. Motta está trocando sua agenda legislativa pelo apoio que pode garantir a continuidade de sua dinastia política no Nordeste. Lula por sua vez mostra que é um mestre em transformar adversários ocasionais em aliados por necessidade. O jantar na verdade foi a celebração de um contrato de conveniência onde o governo retoma as rédeas da pauta em troca de promessas de palanque. A política brasileira continua sendo esse balcão onde o interesse público muitas vezes é usado como moeda de troca para ambições pessoais e familiares.

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