Portal do Ricardo Mello

Ministério Público investiga caos no Carnaval de SP enquanto Nunes chama de sucesso

Cena de confusão registrada no Centro de SP

Data: 9 de fevereiro de 2026

O Ministério Público de São Paulo resolveu investigar o que Ricardo Nunes chamou de sucesso. No domingo passado, na Rua da Consolação, dois megablocos foram autorizados a desfilar praticamente no mesmo horário e o resultado foi previsível para quem tem dois neurônios funcionando: caos total, foliões passando mal, gente se agarrando em grades de prédios para respirar, pessoas subindo em banheiros químicos e tumultos que fizeram os artistas interromperem a apresentação várias vezes.

A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital instaurou a apuração nesta segunda-feira. Enquanto isso, o prefeito segue vendendo a narrativa de que tudo correu bem. “Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso”, disse Nunes em entrevista à GloboNews. Para ele, a infraestrutura montada foi “perfeita”.

Perfeita. É assim que se chama quando as pessoas precisam se agarrar em grades de prédios para conseguir respirar.

O problema começou porque alguém na Prefeitura achou uma boa ideia autorizar o bloco Skol, com Calvin Harris como atração principal, e o Acadêmicos do Baixo Augusta para desfilarem na mesma rua em horários próximos. Um começava às 11h, o outro às 14h. Não é difícil imaginar o que aconteceria quando os dois públicos se encontrassem na mesma via.

Pouco depois das 12 horas, o bloco Skol parou de andar. Empurra-empurra, foliões passando mal, artistas como Nattan, Xand Avião, Felipe Amorim e Zé Vaqueiro interrompendo a apresentação várias vezes. Alguns foliões, desesperados, derrubaram grades para ocupar áreas abertas de prédios. Outros se agarravam em portões tentando conseguir um respiro. Isso não é sucesso, é sufoco.

A Prefeitura, em nota, disse ter acionado um plano de contingência a partir das 14h55. Abriram as transversais da Consolação para saída de público, bloquearam a entrada de novos foliões e a Guarda Civil Metropolitana assumiu a condução do trio elétrico. Mas aqui está o problema: por que precisou de um plano de contingência se a infraestrutura era perfeita? Por que autorizar dois desfiles tão grandes na mesma data?

A Prefeitura não respondeu essas perguntas. Apenas informou que “o recorde de público em bloco na Rua da Consolação fez com que a administração liberasse as vias de acesso como áreas de escape e também determinou a retirada de gradis para melhorar a mobilidade dos foliões”. Traduzindo: reconheceu que havia superlotação e tentou improvisar soluções no meio do caminho.

A Polícia Militar afirma que não houve feridos e que ampliou o efetivo por causa da superlotação, mas não informou quantos agentes acompanhavam o evento. Também não há informações sobre a situação das pessoas que passaram mal e tiveram de ser socorridas. Os postos médicos operaram para atender quem procurou o serviço, mas a corporação diz que não houve ocorrência grave registrada.

Foliões relataram ao jornal Estadão que foi “horrível”, “caos total”, “desgraçamento mental”. Mas para o prefeito, tudo correu bem.

O que fica claro é que houve uma falha de planejamento. Autorizar dois blocos de grande porte na mesma rua em horários próximos é uma decisão que qualquer pessoa com experiência em gestão de eventos saberia que causaria problemas. A Prefeitura sabia disso, porque acionou um plano de contingência. Mas em vez de reconhecer o erro, Nunes prefere chamar de sucesso.

O Ministério Público agora vai investigar se houve negligência na autorização dos eventos e na gestão da superlotação. Enquanto isso, os foliões que viveram aquele sufoco na Consolação sabem bem o que realmente aconteceu lá. E não foi sucesso, foi improviso disfarçado de gestão competente.

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