PF encontra conversa de Toffoli com Vorcaro e tenta tirar ministro do Caso Master
Data: 11 de fevereiro de 2026
O diretor-geral da Polícia Federal Andrei Passos Rodrigues colocou nas mãos do presidente do STF, o ministro Edson Fachin, um relatório com dados do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. E o que aparece lá dentro? Conversas entre Vorcaro e Dias Toffoli, o mesmo ministro que está relatando a investigação sobre o Master no STF. Aquele mesmo que tentou passar o cadeado nas provas do Caso Master e escolheu quais peritos iriam analisar as provas.
Toffoli é o relator do caso Master no Supremo. Isso significa que ele é quem conduz a apuração, quem decide os próximos passos, quem tem poder sobre tudo que acontece ali. Agora descobrimos que ele e Vorcaro trocavam mensagens. Não é como um juiz receber uma ligação de um réu. É mais como descobrir que o árbitro da partida estava combinando jogadas com um dos times no intervalo.
A PF não está pedindo nada de forma tímida. Está pedindo que Toffoli se declare suspeito do caso. Suspeição é aquele termo jurídico que significa basicamente “você não pode mais julgar isso porque tem interesse pessoal ou relação comprometida”. Se Toffoli fosse declarado suspeito, ele teria que sair da relatoria. Simples assim.
Mas Toffoli respondeu através de seu gabinete que as menções ao seu nome são apenas “ilações”. Ilações é um jeito elegante de dizer “achismo”. Ele afirma que não há motivo para se declarar impedido. E vai além: diz que a PF não tem nem legitimidade para fazer esse pedido porque não é parte no processo.
Aqui está o problema dentro do problema. Toffoli está usando uma questão técnica de direito processual para se esquivar de uma questão muito maior. É verdade que a PF pode ter uma limitação técnica para fazer o pedido, mas isso não resolve o fato de que há conversas entre ele e o banqueiro investigado.
O STF está dividido sobre o que fazer. Alguns ministros acham que Toffoli deveria sair da relatoria. Outros acham que não há motivo. Enquanto isso, Fachin, que agora tem o relatório nas mãos, precisa decidir o que fazer com as novas frentes de investigação que surgiram a partir dos dados do celular de Vorcaro.
Agora tudo passa a fazer sentido
Toffoli já vinha sendo questionado desde o começo do caso. Quando a investigação começou, ele tomou decisões que levantaram sobrancelhas. Mandou que bens apreendidos fossem lacrados e armazenados no próprio Supremo, o que não é o procedimento normal. Depois veio a revelação de que a família do ministro tem um resort que fez transações milionárias com fundos ligados ao Master. Agora vem isso das conversas.
A situação é delicada porque envolve o próprio Supremo julgando a si mesmo. Ou seja, o STF está em uma encruzilhada onde qualquer decisão vai parecer suspeita para uma parte.
O que torna tudo ainda mais complicado é que entre os novos achados da PF há menções a pessoas com foro de prerrogativa de função no STF e também a integrantes do Congresso Nacional. Isso significa que a investigação pode se expandir para outras esferas do poder. A PF agora aguarda o que Fachin vai fazer com tudo isso.
Enquanto isso, Toffoli não se manifestou pessoalmente. Deixou que seu gabinete respondesse com argumentos técnicos. É uma estratégia comum quando você quer ganhar tempo ou evitar que suas palavras sejam usadas contra você depois.
Além da liquidação
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro. A investigação começou porque havia fraudes financeiras. Mas o que começou como uma apuração sobre fraudes virou uma crise institucional que coloca em xeque a capacidade do Supremo de investigar a si mesmo sem conflito de interesse.
A questão que fica no ar é simples: como o STF pode manter sua credibilidade se um de seus ministros, que está julgando um caso, tinha conversas com o investigado? Não é preciso ser jurista para entender que isso é um problema. É preciso apenas bom senso.
Fachin tem agora a responsabilidade de decidir se encaminha as novas investigações para outras instâncias ou se mantém tudo dentro do Supremo. Qualquer que seja a decisão, ela vai dizer muito sobre como o STF está lidando com sua própria crise de confiança.




