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Governador do DF vendeu direitos de R$ 38 milhões a fundo investigado por fraude bancária

O governador do DF, Ibaneis Rocha

Data: 10 de março de 2026

O escritório de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fechou um contrato de R$ 38 milhões vendendo direitos sobre honorários de precatórios a um fundo ligado à Reag, a mesma gestora que a Polícia Federal aponta como estrutura central de um esquema de fraudes no Banco Master. O negócio aconteceu em maio de 2024, quando o BRB já estava adquirindo carteiras da instituição de Daniel Vorcaro, segundo informações da jornalista Malu Gaspar, de O Globo.

A Reag não é qualquer intermediária financeira. A PF e o Ministério Público Federal identificaram a gestora como peça fundamental na teia de fundos que distribuía dinheiro captado irregularmente pelo Master, tornando praticamente impossível rastrear para onde os recursos iam. É o tipo de estrutura que especialistas em fraude financeira chamam de “caixa preta”.

O diretor do fundo que comprou os direitos do escritório de Ibaneis é Marcos Ferreira Costa, o mesmo representante que participava e votava em assembleias de acionistas do BRB como representante do Borneo, outro fundo investigado pela PF. O Borneo foi usado em uma operação conjunta do Master e da Reag para adquirir 25% do controle do BRB por um preço bem abaixo do mercado, enquanto negociavam carteiras fraudulentas do Master. Segundo a PF, o Borneo chegou a deter 4,5% do capital total do BRB e mais de 12% das ações preferenciais. A Justiça bloqueou essas ações.

Precatórios são ordens de pagamento que a Justiça determina para municípios, estados ou União. Costumam demorar anos para serem liberados porque dependem de condenação judicial em última instância. Nessa modalidade de negócios, quem compra adquire o direito de receber os honorários advocatícios, que geralmente correspondem a fatias maiores do que as do mercado, justamente porque precatórios são títulos de difícil recebimento.

No caso específico, o escritório de Ibaneis vendeu ao fundo Reag Legal Claims (hoje chamado Pedra Azul) os direitos creditórios sobre honorários no valor nominal de R$ 38 milhões, com data-base de dezembro de 2021. A dívida total envolvida era de R$ 381,2 milhões. Não há registro de que o fundo já tenha recebido qualquer valor desses honorários.

O termo de cessão foi assinado entre Luzineide Getro de Carvalho, gerente administrativa do escritório do governador, e Ramon Pessoa Dantas, diretor da Reag. O escritório Engels Augusto Muniz Sociedade Individual de Advocacia, próximo do grupo político de Ibaneis, também participou do negócio.

A trajetória da Reag é reveladora. O Banco Central liquidou a gestora em janeiro, dois meses depois de tomar a mesma decisão em relação ao banco de Vorcaro. Segundo o BC, a medida foi necessária por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes” do sistema financeiro nacional. A Reag ainda é alvo de outra investigação da PF, a Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro de facções criminosas no mercado de combustíveis e em instituições financeiras.

Em fevereiro deste ano, a Justiça Federal de Brasília determinou o bloqueio das ações do BRB controladas por investigados no caso Master, incluindo as do Borneo. O objetivo é garantir um possível ressarcimento pelos prejuízos que o esquema de fraudes causou ao banco de Brasília.

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