Moraes autoriza visita de assessor extremista de Trump a Bolsonaro na prisão

Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, aprovou nesta terça-feira a visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. A conversa acontecerá no dia 18 de março, das 8h às 10h, com intérprete acompanhando o americano.

A defesa de Bolsonaro havia solicitado que a visita ocorresse no dia 16 ou 17 de março, dias fora do calendário regular de visitação. Moraes negou o pedido, argumentando que os visitantes devem se adequar ao regime legal da prisão e não o contrário, para preservar a organização administrativa e a segurança do estabelecimento.

Beattie é conhecido por suas críticas contundentes a Moraes. Em meados de 2025, publicou no X que o ministro é o “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”, provocando um incidente diplomático que levou o Itamaraty a convocar o principal diplomata americano em Brasília para explicações. No site do Departamento de Estado dos EUA, ele é descrito como “defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática”.

Os EUA chegaram a sancionar Moraes acusando-o de detenções arbitrárias e supressão de liberdade de expressão. Após o anúncio das sanções, Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a Beattie pelos esforços.

A agenda de Beattie no Brasil inclui um evento sobre minerais críticos em São Paulo no dia 18. Sua presença ocorre enquanto os EUA discutem classificar facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras, movimento que o governo brasileiro tenta evitar por receio de intervenção estrangeira.