Lula revoga visto de assessor de Trump e cobra reciprocidade para Alexandre Padilha
Data: 13 de março de 2026
O presidente Lula respondeu à tentativa de interferência americana no Brasil com uma jogada de xadrez diplomático. Nesta sexta-feira, ele anunciou que o assessor de Trump, Darren Beattie, não entra no Brasil enquanto o ministro da Saúde Alexandre Padilha não conseguir entrar nos Estados Unidos.
Os americanos cancelaram o visto da esposa e da filha de dez anos de Padilha em 2025, mesmo com o visto do ministro vencido e, portanto, não passível de cancelamento. Agora Lula cobra a mesma moeda. “Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”, disse o presidente durante agenda no Rio de Janeiro.
Beattie trabalha para o Departamento de Estado americano e é responsável por assuntos ligados ao Brasil. Ele pretendia visitar Bolsonaro na próxima semana, mas o caminho ficou bloqueado em três frentes simultâneas.
Visita negada
Na quinta-feira (14), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie.
Na decisão, Moraes disse que a visita do assessor a Bolsonaro não foi comunicada à diplomacia brasileira e não está inserida na agenda oficial que será cumprida no Brasil.
“Ingerência”
Também na quinta (14), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou a Moraes que a visita a Bolsonaro poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil.
A declaração consta em ofício enviado pelo chanceler brasileiro ao ministro do Supremo. “A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Vieira no documento.
O que está em jogo aqui vai além de um visto negado. É sobre quem define as regras do jogo diplomático. Trump tentou mandar um recado através de Beattie. Lula respondeu que o Brasil não é quintal de ninguém e que reciprocidade não é favor, é princípio.




