Trump acha que manda no mundo, quer empurrar deportados ao Brasil e cobra fim do PCC e CV
Data: 13 de março de 2026
Em mais uma clara tentativa de interferir no Brasil, o governo de Donald Trump resolveu que pode exigir que o governo brasileiro acabe com o PCC e o CV e quer que Lula transforme o Brasil no quintal dos EUA, recebendo em suas penitenciárias os estrangeiros presos nos EUA, tal como faz El Salvador.
A proposta apresentada pelos Estados Unidos prevê que o Brasil receba estrangeiros capturados em território americano e ainda apresente um plano para acabar com o PCC, o Comando Vermelho, o Hezbollah e as organizações criminosas chinesas em solo brasileiro, segundo um alto funcionário americano informou à Folha. Em resumo, Washington quer terceirizar parte do problema e, de quebra, exigir solução pronta para duas das maiores facções criminosas do país.
A informação, publicada pela Folha, expõe uma lógica que parece simples no papel e bem mais espinhosa na vida real. Uma coisa é deportar brasileiros ao seu país de origem. Outra, bem diferente, é tentar transformar o Brasil em destino de estrangeiros detidos nos Estados Unidos. Isso mexe com soberania, política migratória e responsabilidade jurídica.
Não se trata de mera cooperação entre governos. Trata-se de uma tentativa de redistribuir um problema interno americano para fora de casa, como quem reorganiza a bagunça empurrando tudo para o cômodo ao lado.
O segundo ponto da proposta também chama atenção. Exigir do Brasil um plano para acabar com o PCC e o Comando Vermelho soa bem em discurso de campanha e rende manchete fácil, mas o buraco é muito mais fundo. Facções desse porte não surgiram por geração espontânea nem desaparecem por ofício diplomático. Elas cresceram em meio a falhas históricas do sistema prisional, do controle de fronteiras e da coordenação entre forças de segurança. Cobrar uma solução imediata para isso é quase tratar décadas de omissão estatal como se fossem pendência administrativa de balcão.
No contexto maior, a proposta de Trump mostra como a política externa pode virar instrumento de pressão direta sobre países latino-americanos, especialmente quando segurança e imigração entram no cardápio eleitoral dos Estados Unidos.
Trump quer que o Brasil não serja apenas parceiro. Quer que o Brasil vire uma peça de uma engrenagem desenhada em Washington. E quando outro país quer definir quem você recebe e como você combate o crime dentro de casa, já não está oferecendo ajuda. Está tentando ditar a regra.




