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Trump apoiando Flávio Bolsonaro aumentaria voto em Lula, aponta pesquisa Quaest

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro

Data: 13 de março de 2026

A ironia da política internacional é que nem sempre o apoio funciona como esperado. Uma pesquisa divulgada pela Quaest nesta sexta-feira (13) mostra que se Donald Trump decidisse apoiar Flávio Bolsonaro à Presidência, o gesto teria um efeito colateral incômodo para a oposição: beneficiaria mais Lula do que o próprio senador.

Os números falam por si. Enquanto 28% dos entrevistados aumentariam a chance de votar em Flávio com o apoio do presidente americano, 32% afirmam que fariam exatamente o oposto e votariam em Lula. Outros 19% procurariam uma terceira via, 14% não se deixariam influenciar e 7% não souberam responder.

“Trump parece mais atrapalhar que ajudar a candidatura da oposição”, resume Felipe Nunes, diretor da Quaest. A constatação é simples: o apoio americano funcionaria como um repelente eleitoral para quem já desconfia do presidente dos EUA.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 6 e 9 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Foi encomendado pela Genial Investimentos.

Os dados revelam padrões interessantes quando se olha para grupos específicos. Entre bolsonaristas, 80% aumentariam o voto em Flávio com o apoio de Trump. Já entre lulistas, o inverso acontece: 79% reforçariam o voto no presidente.

Evangélicos respondem melhor ao apoio americano (36% votariam em Flávio), enquanto católicos tendem para Lula (35% aumentariam o voto no petista).

Homens mostram-se mais receptivos a Flávio (34%), enquanto mulheres favorecem Lula (33%). Na faixa etária, jovens de 16 a 24 anos preferem buscar alternativas (22% votariam em terceira via), enquanto idosos acima de 60 anos ampliariam o voto em Lula (37%).

A renda também marca diferença: quem ganha mais de 5 salários mínimos tende a Flávio (35%), enquanto quem ganha até 2 salários mínimos favorece Lula (40%).

Geograficamente, o Sul é a região mais receptiva a Flávio com apoio de Trump (35%), mas o Nordeste mostra rejeição clara: 50% aumentariam o voto em Lula se Trump apoiasse o senador.

Há outro fator que complica a equação para qualquer candidato que receba apoio americano: a rejeição aos Estados Unidos entre os brasileiros atingiu 48% em março de 2026, o maior patamar desde 2023. Em outubro de 2023, esse índice era de apenas 25%. A aprovação dos EUA caiu para 38%, comparada aos 44% de agosto passado e aos 58% de fevereiro de 2024.

A conclusão é clara: em um cenário onde a desconfiança dos americanos cresce, um apoio de Trump a qualquer candidato brasileiro funciona mais como um peso do que como um trunfo eleitoral.

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