Tenente-coronel da PM é indiciado por feminicídio de soldado e tem prisão decretada em SP

A policial militar Gisele Santana, com o marido, também PM, Geraldo Leite Rosa Neto

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto por feminicídio e fraude processual após a morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana. O caso ocorreu em fevereiro no bairro do Brás e inicialmente foi apresentado como um suicídio. No entanto, a perícia técnica e a exumação do corpo revelaram marcas de pressão de dedos e unhas no pescoço da vítima, evidências que desmontaram a versão do oficial.

Para entender a gravidade do fato, é preciso notar que o indiciamento por fraude processual indica que a cena do crime foi alterada. É uma ironia amarga perceber que um oficial de alta patente, treinado para preservar evidências e garantir o cumprimento da lei, seja agora acusado de manipular o próprio lar para esconder um assassinato.

A investigação aponta que Gisele vivia um relacionamento abusivo e violento, um padrão que muitas vezes fica escondido sob o prestígio da farda. A conexão entre os fatos mostra que a violência doméstica não escolhe classe social ou profissão, mas ganha contornos ainda mais sombrios quando o agressor domina as técnicas de investigação.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas o registro foi alterado pela Polícia Civil para “morte suspeita” após a mãe da vítima dizer, em depoimento, que o relacionamento do casal era conturbado e que o tenente-coronel era violento. O pedido de prisão foi feito após o corpo de Gisele ser exumado no dia 6 de março e passar por nova perícia e exames complementares.

O pedido de prisão do tenente-coronel agora aguarda decisão do Tribunal de Justiça, enquanto o processo corre sob sigilo. A tentativa de transformar um crime brutal em uma fatalidade voluntária falhou diante do rigor pericial, provando que o poder do cargo não é suficiente para apagar as marcas da violência física.