Professora da Unicamp é solta após furto de vírus em laboratório de máxima segurança
Data: 25 de março de 2026
A Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora doutora Soledad Palameta Miller, suspeita de sumir com amostras virais do laboratório de virologia da Unicamp. O material estava guardado em uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), o mais alto disponível atualmente no Brasil para estudar agentes infecciosos. A informação consta no Termo de Audiência divulgado nesta terça-feira.
Miller responderá por expor a perigo a vida e saúde de outras pessoas, transporte irregular de organismo geneticamente modificado e fraude processual, segundo a Justiça Federal. Ela foi presa em flagrante na segunda-feira (23) depois que a Polícia Federal encontrou as amostras em laboratórios da universidade onde a pesquisadora atuava.
O desaparecimento foi percebido em 13 de fevereiro, quando uma pesquisadora autorizada notou a falta de caixas com amostras virais no Laboratório de Virologia Animal do Instituto de Biologia. A recuperação do material aconteceu dentro da própria Unicamp, espalhada em três locais diferentes: congeladores na Faculdade de Engenharia de Alimentos, tubetes abertos em freezer compartilhado no Instituto de Biologia e frascos descartados em lixeiras comuns.
Miller não possuía laboratório próprio na Faculdade de Engenharia de Alimentos nem acesso autorizado aos locais de segurança. Segundo as investigações, ela usava sua orientanda de mestrado para abrir as portas dos laboratórios, inclusive nos finais de semana. O material biológico sensível foi movimentado e armazenado em ambientes não controlados, com descarte em lixeiras comuns, expondo terceiros a risco direto e iminente, conforme documento da Justiça.
A defesa da docente argumenta que não há materialidade na acusação e que ela utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria. Mesmo assim, a Justiça determinou que Miller fica obrigada a comparecer mensalmente à 9ª Vara Federal, pagar fiança de dois salários-mínimos, não pode deixar Campinas por mais de cinco dias sem autorização e está proibida de acessar os laboratórios envolvidos na investigação.
A Unicamp instaurou sindicância interna para apurar o caso. Todos os laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos foram interditados temporariamente, mas a desinterdição ocorreu no início da tarde de segunda-feira. As aulas na graduação e nos laboratórios de ensino foram mantidas.




