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CPMI do INSS termina sem relatório aprovado e deixa indiciamentos no limbo

A CPMI do INSS

Data: 28 de março de 2026

A CPMI do INSS chegou ao fim da madrugada de sábado sem conseguir aprovar um relatório. Depois de uma sessão que começou na sexta-feira às 9h44 e se estendeu até 1h14 da madrugada, os parlamentares rejeitaram por 19 votos a 12 o documento do relator Alfredo Gaspar que pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas. Entre elas estava Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Gaspar não apenas queria indiciamentos. Ele também defendia que a Advocacia do Senado pedisse à Justiça a prisão preventiva de Lulinha, argumentando que havia “indícios concretos” de possibilidade de fuga. A ironia é que a comissão terminou sem conseguir nem aprovar o documento que faria essas acusações formalmente.

O que aconteceu foi basicamente isto: o governo apresentou um relatório alternativo na sexta-feira recomendando o indiciamento de 130 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. Mas o presidente da CPMI encerrou a sessão sem analisar esse documento. Resultado: a comissão encerra os trabalhos sem nenhum relatório aprovado, deixando tudo em suspenso.

O presidente da CPMI afirmou que uma cópia do relatório será enviada para órgãos de fiscalização, incluindo o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República.

A comissão investigou um esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios previdenciários, especialmente através de entidades como a Conafer. O relatório rejeitado apontava uma rede que incluía ex-ministros de Lula e Bolsonaro, parlamentares, executivos de bancos e servidores públicos. Nomes como Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência no governo Lula, e José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho no governo Bolsonaro, estavam na lista.

O “Careca do INSS”, Antonio Carlos Camilo Antunes, era apontado como operador central do esquema. Roberta Luchsinger, empresária amiga de Lulinha, aparecia como intermediária de repasses para o filho do presidente. Nada formalmente aprovado.

A questão agora é o que acontece com esses indiciamentos propostos. Tecnicamente, uma CPI não tem poder punitivo. Ela investiga e propõe. Quem julga é a Justiça. Mas sem um relatório aprovado, fica a dúvida sobre qual documento será encaminhado aos órgãos competentes e com que peso.

O impasse reflete a polarização que marcou os últimos meses da comissão. Aliados do relator chegaram a defender uma prorrogação dos trabalhos, mas o Supremo Tribunal Federal derrubou a extensão do prazo, entendendo que a Constituição não prevê prorrogação de CPIs.

A CPMI foi criada em 2025 para apurar suspeitas de descontos irregulares em benefícios previdenciários. Ao longo de seis meses, ouviu servidores do INSS, representantes de entidades investigadas, aposentados atingidos pelos descontos e integrantes da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União. Acumulou milhares de páginas de documentos.

Mas terminou como começou: com mais perguntas do que respostas formalizadas.

5 comentários para “CPMI do INSS termina sem relatório aprovado e deixa indiciamentos no limbo”

  1. Vergonhosa,mas já esperda a atuação de parte dos membros da Cpmi do Inss. Blindaram os verdadeiros suspeitos não os convocando para depor,desconsideraram e distorceram provas, e indiciaram o Lulinha sem qualquer prova ou evidência. Farsa total para proteger a extrema direita bolsonarista.

  2. Não tenho sis o que come-se. Estou cansada de só saber das pilantragens desta direita que é um esgoto. A esquerda é parada com exceção de alguns parlamentares que adoro. São os is mais ativos

  3. A CPMI termina como começou, sem um relatório final. Ao cabo fica a sensação só de tempo perdido com convocações, sessões improdutivas e palanque eleitoral.

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