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Tenente-coronel usou desembargador como peça de xadrez para encobrir feminicídio

Tenente-coronel e desembargador na cena do crime

Data: 30 de março de 2026

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto preso e é réu por feminicídio da companheira, a policial militar Gisele Alves Santana, chamou o amigo desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado para ir ao apartamento do casal após o disparo.

O delegado Lucas de Souza Lopes, responsável pela investigação, foi bem direto ao podcast True Crime do SBT News. Disse que Rosa Neto é um “estrategista ao extremo” e “manipulador”. Que o tenente-coronel sabia exatamente o que estava fazendo ao chamar o desembargador para o local. Que a presença de um magistrado ali, com todo o peso do cargo, poderia criar uma aura de credibilidade em torno da sua versão dos fatos. Que Cogan era uma peça de xadrez em um jogo muito maior.

A Polícia Civil informa, ainda, que Cogan não se apresentou como desembargador quando chegou. Só mostrou a identidade funcional no final, quando policiais militares o questionaram. As câmeras corporais dos PMs registraram o magistrado “extremamente constrangido” em vários momentos. Ele não queria entrar no apartamento. Mas entrou porque Rosa Neto criou uma “cena” que o forçou a isso. Ele não tocou em nada. Não interferiu na ocorrência. Apenas ficou ali, ouvindo a mesma versão que o tenente-coronel estava contando para todo mundo.

O delegado explicou com clareza cirúrgica o que estava acontecendo. Rosa Neto sabia que um desembargador tem relevância. Sabia que a presença dele ali poderia fazer as pessoas pensarem que o tenente-coronel tinha influências, que era alguém importante, que merecia ser acreditado. Só que não funcionou.

A defesa de Cogan disse que ele foi chamado “como amigo, após os fatos, pelo coronel, anunciando ocorrência do suicídio”. Ou seja, o desembargador chegou depois que tudo já tinha acontecido. Depois que a mulher já estava morta. Depois que os disparos já tinham sido feitos. E mesmo assim, sua presença ali foi usada como ferramenta de manipulação.

A Polícia Civil afastou interferências do desembargador no caso. Cogan não mexeu em nada. Não alterou a cena. Não obstruiu a investigação. Mas sua presença ali, sua identidade, seu cargo, tudo isso foi instrumentalizado. Tudo isso foi usado como parte de uma estratégia para criar dúvida, para criar a impressão de que havia alguém importante validando a versão de Rosa Neto.

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