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Flávio Bolsonaro defendeu PM acusado de matar menina de 5 anos em Niterói

O senador Flávio Bolsonaro

Data: 31 de março de 2026

ICL Notícias

Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência, atuou como advogado de defesa de um policial militar acusado de matar Ana Clara Machado, uma menina de 5 anos, em fevereiro de 2021. O caso aconteceu em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, e teve ampla repercussão na época.

A criança brincava com o irmão de 2 anos na porta de casa quando foi atingida por um disparo de fuzil do cabo Bruno Dias Delaroli durante patrulhamento de rotina. Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o policial atirou em direção à área residencial com “vontade livre e consciente, assumindo o risco de matar”. Pessoas que passavam pelo local gritavam “é morador, é morador” tentando fazer os disparos cessarem, mas Delaroli continuou atirando.

Testemunhas relataram que os policiais demoraram para prestar socorro à menina, só o fazendo diante da insistência dos moradores e parentes. Um colega de farda de Delaroli, muito nervoso, repetia para o cabo: “olha a merda que você fez”. A perícia encontrou na cena do crime estojos de munição iguais aos usados pelo policial.

Em sua defesa, Delaroli alegou ter reagido a uma suposta agressão de traficantes armados. O MPRJ, porém, sustentou que não havia indícios de confronto prévio. Testemunhas negaram a ocorrência de troca de tiros e afirmaram que não havia atividade de tráfico no local. A viatura dos policiais também não apresentava sinais de confronto.

Delaroli foi preso preventivamente, mas a medida foi revogada em novembro de 2021. Flávio Bolsonaro integrou a banca de defesa e assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça em 2024 para reverter a decisão que submeteu o caso a júri popular. O STJ negou o recurso. Agora Delaroli aguarda julgamento sem possibilidade de mais recursos.

A atuação de Bolsonaro não se limitou a esse caso. O senador também assinou, junto com o escritório Paulo Klein Advogados, um recurso ao STJ em defesa de quatro policiais militares acusados de matar quatro homens durante uma emboscada no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, em janeiro de 2020. Os cabos Pedro Jeremias Lemos Pinheiro, Victor Barcelleiro Batista e Rafael Nascimento Rosa, além do sargento Ricardo de Moraes Mattos, eram lotados no Grupamento de Intervenção Tática.

Segundo o MPRJ, os assassinatos foram cometidos mediante emboscada. Os policiais ficaram escondidos dentro de um imóvel em posição superior, aguardando até a tarde para disparar de cima para baixo, surpreendendo as vítimas sem chance de defesa. Os PMs alegaram que foram para uma operação de combate ao tráfico, prenderam um traficante e um policial foi baleado, então deixaram o local. A defesa tentou reverter a decisão de júri popular no ano passado, mas também foi negada.

Flávio Bolsonaro atuou nos dois casos com inscrição suplementar da OAB do Distrito Federal. Seu registro de origem é no Rio de Janeiro. Ele abriu um escritório de advocacia em Brasília em abril de 2021, com endereço na mansão onde mora no Lago Sul. Parlamentares não podem advogar contra ou a favor de órgãos e entidades ligados à administração pública, mas não são impedidos de trabalhar como advogados.

A relação de Bolsonaro com policiais militares associados ao crime no Rio é antiga. Quando era deputado estadual, empregou em seu gabinete na Alerj a mãe e a mulher do miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2020 e acusado de liderar o grupo de matadores de aluguel conhecido como Escritório do Crime. Investigação da CPMI do INSS revelou que Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia de Bolsonaro, é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio de um lobista conhecido como Careca do INSS. Um relatório alternativo da CPMI apresentado recentemente pede o indiciamento de Flávio Bolsonaro pela ligação com Reis.

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