A Polícia Federal deflagrou a Operação Exfil nesta quarta-feira (1º de abril) para investigar um esquema de vazamento de informações sigilosas de autoridades públicas. No centro da operação está Marcelo Conde, empresário filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, que está foragido no exterior. Segundo apuração da CNN, ele é procurado por suspeita de comprar e vazar dados fiscais sigilosos de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes do STF.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo próprio Moraes. Conde teria adquirido mais de mil dados fiscais de forma ilegal, realizando pagamentos em dinheiro de aproximadamente R$ 4.500 para obter as informações.
A estrutura por trás dessa operação é mais complexa do que parece à primeira vista. Não se trata apenas de um empresário agindo sozinho, mas de uma rede organizada que envolvia servidores públicos, funcionários terceirizados e despachantes.
A investigação da Polícia Federal identificou múltiplos acessos ilegais a dados fiscais através de sistemas da Receita Federal e do Coaf, seguidos do compartilhamento das informações. Ao todo, foram acessados dados de 1.819 contribuintes, incluindo pessoas ligadas a ministros do STF, do TCU, parlamentares e empresários. Conde seria o mandante do esquema, fornecendo listas de CPFs e realizando os pagamentos para obter as informações.
Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. A investigação tramita sob sigilo. A primeira fase da operação ocorreu em 17 de fevereiro, e a ação foi deflagrada no âmbito de uma investigação aberta dentro do inquérito das fake news, autorizada pelo ministro Moraes.
Aqui está o detalhe que conecta os fatos dispersos: o inquérito das fake news foi instaurado em 2019 pelo ministro Dias Toffoli, que à época presidia o STF, por iniciativa própria, sem pedido da Polícia Federal e da PGR. Toffoli designou Moraes como relator da investigação.
Agora, anos depois, é o próprio Moraes quem autoriza operações que investigam vazamentos de seus dados pessoais e de sua família. A ironia não é sutil: o mesmo inquérito que começou como ferramenta de investigação sobre desinformação agora serve para investigar crimes contra autoridades que o conduzem.


