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Filha da PM Gisele aguarda pensão enquanto tenente preso por feminicídio se aposenta em uma semana

A policial militar Gisele Santana, com o marido, também PM, Geraldo Leite Rosa Neto

Data: 5 de abril de 2026

A filha de sete anos de Gisele Alves Santana, policial militar morta em fevereiro, ainda espera pela pensão que lhe é garantida por lei. Enquanto isso, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso acusado de matar a esposa, conseguiu sua aposentadoria em menos de uma semana.

O pedido de pensão foi protocolado no SPPrev (Instituto São Paulo Previdência) em 6 de março, com base na Lei Complementar 1.354/2020. A criança teria direito a receber aproximadamente um salário mínimo e meio, cerca de R$ 2.431. Segundo o advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, o processo poderia levar até 120 dias para ser analisado, o que significaria pagamento apenas em julho.

Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi transferido para a reserva da corporação e conseguiu se aposentar pelos critérios proporcionais de idade. Mesmo preso e réu por feminicídio qualificado e fraude processual, ele mantém direito aos vencimentos integrais do último salário, que girava em torno de R$ 28 mil brutos. Com critérios de proporcionalidade, a aposentadoria deve ficar em cerca de R$ 20 mil mensais.

A disparidade no tratamento gerou críticas públicas. Apenas após pressão da população e da imprensa, o SPPrev anunciou que o primeiro pagamento da pensão será efetuado na folha de 8 de abril. O órgão justificou que o procedimento envolve validações administrativas e jurídicas distintas das aplicáveis à concessão de aposentadorias.

Gisele foi encontrada morta em seu apartamento no Brás em 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a investigação evoluiu para feminicídio após análise de laudos periciais. O exame necroscópico confirmou que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça, em trajetória incompatível com um tiro autoinfligido. Peritos encontraram lesões no rosto e pescoço, marcas de dedos e arranhões que indicam imobilização antes da morte. Hematomas nos olhos apontam para agressões anteriores ou simultâneas ao disparo.

Geraldo Neto está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. A Secretaria da Segurança Pública informou que instaurou um conselho de justificação que pode resultar em demissão, perda do posto e da patente, processo que continua válido mesmo após a transferência para a reserva.

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