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Governo atualiza lista suja e inclui BYD e Amado Batista por trabalho escravo

Alojamento da BYD

Data: 7 de abril de 2026

O Ministério do Trabalho divulgou nesta segunda-feira (6) a atualização semestral da “lista suja”, documento público que expõe empregadores condenados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. A nova versão traz 169 nomes inéditos, representando um aumento de 6,28% em relação à atualização anterior.

Entre os recém-incluídos estão a montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista. A inclusão da BYD resulta do resgate de 220 trabalhadores chineses em dezembro de 2024 na construção de sua fábrica em Camaçari, na Bahia.

Os funcionários foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições de conforto e higiene, vigiados por seguranças armados que impediam saídas. Passaportes foram retidos, contratos continham cláusulas ilegais, jornadas eram exaustivas e não havia descanso semanal. Um trabalhador associou um acidente com serra ao cansaço provocado pela falta de folgas.

A BYD informou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil cometeu irregularidades e encerrou o contrato. No fim de 2025, o Ministério Público do Trabalho da Bahia firmou acordo de R$ 40 milhões com a montadora e duas empreiteiras.

Amado Batista aparece em duas autuações em Goianápolis registradas em 2024. Uma envolve o Sítio Esperança com 10 trabalhadores, a outra menciona o Sítio Recanto da Mata com quatro trabalhadores.

Dos 169 novos nomes, 102 são pessoas físicas e 67 são empresas. O resgate resultante desses casos envolveu 2.247 trabalhadores em situações de exploração. A atualização também removeu 225 empregadores que completaram os dois anos de inclusão no cadastro. Com isso, o total de empregadores na “lista suja” chega a cerca de 613.

As atividades econômicas com maior concentração de casos foram serviços domésticos, criação de bovinos para corte, cultivo de café, construção de edifícios e preparação de terreno com cultivo e colheita. Os casos ocorreram entre 2020 e 2025 em 22 unidades da Federação, com Minas Gerais liderando com 35 empregadores incluídos, seguida por São Paulo com 20 e Bahia e Paraíba com 17 cada.

A “lista suja” é divulgada semestralmente pelo Ministério do Trabalho em abril e outubro para dar visibilidade aos resultados das fiscalizações de combate ao trabalho escravo. Os nomes só são adicionados após conclusão do processo administrativo com decisão definitiva sem possibilidade de recurso.

Cada nome permanece por dois anos, mas portaria de julho de 2024 criou novas regras permitindo retirada antecipada para empregadores que assinarem termo de ajustamento de conduta, comprometendo-se a indenizar vítimas com ao menos 20 salários mínimos e investir em programas de apoio aos trabalhadores resgatados.

O documento enfrentou impasses nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, com divulgação suspensa entre 2014 e 2016 até o Supremo Tribunal Federal determinar sua constitucionalidade. O Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que completa 30 anos em 2025, resgatou mais de 68 mil trabalhadores desde sua criação em 1995, assegurando mais de R$ 160 milhões em verbas salariais e rescisórias.

2 comentários para “Governo atualiza lista suja e inclui BYD e Amado Batista por trabalho escravo”

  1. Se a questão é uma realidade chinesa, amplamente conhecida, bem como a indiana e porque não dizer, brasileira, não nos compete julgar. Agora se nacionais estão envolvidos temos que banir esse tipo de procedimento.
    Recenemente, foi aberta ua fábrica da BYD no Brasil, no estado da BA e isso acende a luz amarela!

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