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Trump recua e aceita cessar-fogo de duas semanas após ameaçar destruir o Irã

protesto no Irã

Data: 8 de abril de 2026

Depois de prometer exterminar a civilização persa e obliterar a infraestrutura civil iraniana, o presidente americano voltou atrás e concordou com uma trégua proposta pelo Paquistão. Teerã confirma as negociações, mas deixa claro que a guerra não terminou por enquanto.

Donald Trump anunciou nesta terça-feira (7) que aceitou uma proposta de cessar-fogo de duas semanas no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que começou em 28 de fevereiro. A decisão veio poucas horas depois que ele havia ameaçado destruir pontes e usinas de energia iranianas em quatro horas.

O americano justificou o recuo dizendo que os objetivos militares já foram atingidos e superados. Ele quer usar as duas semanas para negociar um acordo de paz duradouro no Oriente Médio. O Irã concordou em reabrir o estreito de Hormuz durante a trégua, mas com uma ressalva importante: o trânsito acontecerá em coordenação com as Forças Armadas iranianas.

Trump chamou o acordo de “cessar-fogo duplo” para tranquilizar os países árabes do golfo Pérsico. Funcionários americanos disseram que Israel também participa, e mediadores paquistaneses incluíram o Líbano na trégua. Mas o gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu logo depois negou que o território libanês esteja coberto pelo acordo. Essa confusão inicial mostra como as negociações ainda estão em terreno movediço.

O Irã enviou uma contraproposta de dez pontos na segunda-feira (6) que Trump havia considerado insuficiente. Agora ele diz que esse texto será a base para as conversas. Mas o americano não entrou em detalhes sobre os pontos mais sensíveis: o programa nuclear iraniano e os sistemas de mísseis balísticos. Em entrevista à AFP, Trump apenas afirmou que o urânio iraniano estará “perfeitamente controlado” e chamou o acordo de “total e completa vitória” para os EUA. O regime iraniano também classificou o cessar-fogo como uma vitória para o país.

Teerã reforçou um ponto essencial: as conversas não significam o fim imediato da guerra. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano deixou claro que “os dedos estão no gatilho” e que qualquer erro do inimigo será respondido com toda a força.

A proposta iraniana inclui trânsito controlado pelo estreito de Hormuz, fim da guerra contra o Irã e seus aliados, retirada das forças americanas de todas as bases regionais, suspensão de sanções, pagamento de indenizações e liberação de ativos congelados. O órgão de segurança iraniano também afirmou que a proposta inclui a aceitação do enriquecimento de urânio.

Segundo o New York Times, o Irã aceitou a proposta do Paquistão após pressão da China, que pediu a Teerã para desescalar o conflito. O novo líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, aprovou o cessar-fogo. Trump acredita que a China foi fundamental para levar o Irã à mesa de negociações.

Na prática, esse é o quinto adiamento do prazo para que o Irã reabra o estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo. O anúncio saiu pouco mais de uma hora antes de Trump expirar o ultimato que havia dado na véspera.

O padrão aqui é claro. Trump elevou ameaças impossíveis, fez imposições que o adversário rejeitou, e depois recuou quando as negociações avançaram. Essa estratégia de negociação, que ele repete na diplomacia, gerou críticas até de aliados. No fim de semana, ele publicou uma postagem inédita para um presidente americano, cheia de palavrões contra os iranianos. Na segunda-feira, afirmou que poderia destruir o Irã em uma noite. Nesta terça, pintou a guerra com cores de extermínio numa frase tão malvista que até o papa Leão 14, primeiro pontífice americano, a condenou.

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