Ex-presidente do BRB é preso em operação que investiga lavagem de dinheiro no Caso Master
Data: 16 de abril de 2026
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Daniel Monteiro, advogado de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro. Os dois são investigados por participarem de um esquema de lavagem de dinheiro destinado ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, conforme informou a PF. A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.
Costa já havia sido afastado do cargo por decisão judicial e demitido em novembro pelo então governador Ibaneis Rocha após a primeira fase da operação Compliance Zero, que apura fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master. Monteiro é apontado como responsável por administrar fundos e contas utilizados por Vorcaro em transações suspeitas.
Propina
Segundo a PF, Costa teria combinado com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o recebimento de propina estimada em R$ 146,5 milhões. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa realizada hoje (16) pela Polícia Federal, na quarta fase da Operação Compliance.

O valor seria recebido por meio de quatro imóveis de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília. A Polícia Federal disse ter rastreado, até o momento, o pagamento de ao menos R$ 74 milhões.
O restante da propina só não teria sido pago em razão de Vorcaro ter descoberto a abertura de procedimento investigatório na PF justamente sobre os pagamentos feitos a Costa. Segundo os investigadores, o banqueiro travou os repasses após ser informado sobre tal procedimento sigiloso.
Ainda segundo a PF, Vorcaro recebeu de seu funcionário Felipe Mourão, em 24 de junho de 2025, uma cópia da investigação, por meio do aplicativo WhatsApp.
A data é posterior à interrupção dos pagamentos, feita em maio, mas Mendonça deu crédito à versão da PF, afirmando que “o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias”.
A investigação revela uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões arquitetada entre o BRB e o Master. Segundo a Polícia Federal, tudo foi feito por “pura camaradagem” numa tentativa de abafar a fiscalização do Banco Central. O BRB realizou operações inconsistentes com o Master enquanto o BC analisava a proposta de venda do banco privado. Em março deste ano, o BRB propôs comprar o Master, mas o Banco Central vetou o negócio.
Precisando de recursos durante essa avaliação, o Master vendeu carteiras de crédito ao BRB para captar dinheiro. Na prática, o banco privado negociou a venda de direitos sobre empréstimos para ganhar fôlego no mercado. Para as autoridades, porém, essa transação foi uma forma de driblar o Banco Central.
Esquema de bilhões
O Ministério Público Federal apontou que o Master adquiriu carteiras de crédito de uma empresa dirigida por um ex-funcionário sem realizar qualquer pagamento e, logo depois, revendeu esses títulos ao BRB recebendo pagamento imediato. Entre janeiro e maio de 2025, R$ 12,2 bilhões foram transferidos dessa forma.
Quando questionado pelo BC, o Master informou que a carteira de crédito tinha origem em duas associações de servidores do estado da Bahia, supostamente criadas por um diretor do banco privado. O Banco Central fez um pente-fino numa amostra de 30 clientes tomadores de crédito das operações cedidas pelo Master ao BRB em janeiro de 2025. A instituição constatou que não havia correspondência das transações com o fluxo financeiro real, o que comprova a insubsistência da operação, ou seja, sua falta de fundamento.
Após esse questionamento, a titularidade dos títulos passou a ser atribuída à Tirreno, criada no final de 2024 por uma pessoa que registrou outras firmas semelhantes. Investigadores apontam isso como indício de uma “empresa de prateleira” para viabilizar o socorro ao Master. Logo após ser lançada no mercado, a Tirreno ampliou seu capital para R$ 30 milhões, passou a ter como diretor um ex-funcionário do Master e realizou mudanças societárias formalizadas apenas após o início da operação com o BRB.
O Ministério Público Federal destacou que o contrato inicial entre Master e Tirreno sequer foi autenticado em cartório, enquanto os demais documentos foram registrados formalmente meses depois da transação. Isso é considerado atípico para uma operação de R$ 12,2 bilhões, que deveria se cercar de cuidados mínimos.
Para corrigir as falhas identificadas pelo Banco Central, o BRB interrompeu a operação com Tirreno e substituiu as carteiras compradas por outros ativos de Vorcaro. A movimentação, porém, extrapolou o limite legal de exposição a um único cliente, estimado em R$ 1,1 bilhão. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, BRB e Master realizaram operações que somaram R$ 16,7 bilhões, mesmo diante de ressalvas formuladas pelo Banco Central.
O BRB divulgou nota reafirmando seu compromisso com ética, responsabilidade e integridade na condução de suas atividades.




