A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal ganhou reforço de duas das principais lideranças evangélicas do Brasil. O apóstolo Estevam Hernandes, fundador da Marcha para Jesus e líder de 800 igrejas, e o apóstolo César Augusto, da Igreja Fonte da Vida, declararam publicamente seu apoio ao advogado-geral da União, segundo coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.
Messias, que é diácono da Igreja Batista Cristã de Brasília, já contava com mobilização do ministro André Mendonça e de religiosos como o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, e o juiz federal William Douglas. Agora, com os apóstolos na frente, o apoio evangélico ao nome ganha peso político em um segmento que historicamente resiste a Lula.
O que torna esse movimento particularmente interessante é a disposição de lideranças religiosas em separar a figura do presidente da qualidade do indicado. Estevam Hernandes deixa claro que o fato de Messias ser ligado ao PT e escolhido por Lula não diminui sua confiança. “Messias tem os valores da Bíblia, a palavra e tem a prática da fé”, afirma o apóstolo, que comanda um complexo midiático que inclui a Rede Gospel e a Rádio Gospel FM.
A trajetória de Hernandes ilustra seu alcance político. Pela Marcha para Jesus já passaram prefeitos, governadores e até Jair Bolsonaro. Lula nunca compareceu, mas enviou Messias como seu representante. “Com ele a gente conversa sempre, já falávamos antes”, diz Estevam, sinalizando que o diálogo com o indicado é anterior à indicação.
César Augusto, por sua vez, traz uma preocupação prática. Ele alerta para que não se repita com Messias o que aconteceu com Mendonça, quando Davi Alcolumbre, presidente do Senado, levou cinco meses para agendar a sabatina. Desta vez, Alcolumbre também colocou obstáculos. “É um direito do presidente Lula indicá-lo”, diz o pastor, que reconhece discordar das posições de esquerda de Messias, mas afirma que “a semente do evangelho está no coração dele”.
O pastor reforça ainda que Messias integra a Igreja Batista, “que é séria e não daria o aval se ele não fosse um cristão verdadeiro”. Essa validação institucional importa em um ambiente onde a credibilidade religiosa funciona como moeda de troca política.


