A Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, apresentou perícia privada afirmando que o filme custou US$ 13,4 milhões (cerca de R$ 75 milhões) e não recebeu recursos públicos. O laudo foi anexado a um inquérito que investiga possível desvio de verbas da Prefeitura de São Paulo para a produção.
A suspeita surgiu porque a dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, preside o Instituto Conhecer Brasil, que firmou contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura para fornecimento de wi-fi. A polícia apura se recursos desse contrato terminaram financiando o filme sobre o ex-presidente.
Aqui entra um detalhe curioso: a perícia contratada pela defesa diz que os gastos vieram de um fundo americano chamado Havengate Development Fund LP, que teria repassado US$ 13,3 milhões. Porém, o laudo não menciona o nome de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apesar de um áudio vazado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mostrar o filho do ex-presidente cobrando recursos dele para financiar a obra. Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para o filme, segundo reportagens anteriores.
O advogado Ricardo Sayeg, que defende Karina, recomendou adiar o lançamento para depois das eleições, justamente para evitar que a obra seja associada à disputa eleitoral. Karina estuda a sugestão. Enquanto isso, a Polícia Federal também investiga se valores repassados por Vorcaro financiaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A prefeitura, por sua vez, afastou nesta semana Rodrigo Raveli Bolzan, gerente da SPTuris, após descobrir que ele foi sócio de uma empresa investigada no caso. Flávio e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades.


