O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro não se encontraram pessoalmente uma única vez, como o filho do ex-presidente fez questão de afirmar. Foram pelo menos dois encontros. A informação foi publicada pelo colunista Lauro Jardim, em O Globo.
O segundo encontro ocorreu no primeiro semestre de 2025, em uma mansão alugada por Vorcaro em Brasília. Até então, apenas a reunião de novembro de 2025 era de conhecimento público. Naquela ocasião, Flávio foi até a casa do banqueiro em São Paulo e, segundo sua própria versão, teria ido lá para “dar um ponto final” na relação entre os dois. Detalhe curioso para quem supostamente queria encerrar contatos: na mesma visita, pediu 134 milhões de reais para bancar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Vorcaro chegou a repassar 61 milhões.
A conversa do primeiro semestre de 2025, segundo Jardim, não teve testemunhas. O imóvel em Brasília era usado para receber convidados do meio político e institucional.
Inicialmente, Flávio negou que Vorcaro tivesse colocado dinheiro na produção de “Dark Horse”. Negou até que áudios do site Intercept vazarem, nos quais ele próprio conversava com o banqueiro sobre o assunto. Depois que os áudios vieram a público, o senador passou a admitir o fato. O deputado Mário Frias, produtor do filme, repetiu o roteiro: negou primeiro, reconheceu depois. Até o momento, Frias não apresentou a prestação de contas da obra, ao contrário do que havia prometido.
“Dark Horse” enfrenta dificuldades para avançar na etapa de distribuição e exibição, conforme publicações recentes de veículos da imprensa. Um filme sobre a vida do ex-presidente bancado com dinheiro de um banqueiro investigado por fraudes, produzido por um deputado que não prestou contas e articulado por um senador que dizia ter encerrado contatos. O roteiro, pelo menos, não precisa de ficção.


