A Polícia Federal indiciou hoje o ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro, José Carlos Oliveira, conhecido também como Ahmed Mohamad após sua conversão ao islamismo, por receber propina de R$ 550 mil em um esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas do INSS. Os crimes apontados são corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Oliveira não agiu sozinho. A PF também indiciou o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o operador Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e integrantes da Conafer, a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais. Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas pelos crimes de corrupção e outros delitos ligados ao esquema. Esses indiciamentos são os primeiros de uma investigação que apura desvios de cerca de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas, mas por enquanto focam apenas no esquema envolvendo a Conafer.
O mecanismo da corrupção funcionava assim. Oliveira, enquanto ministro, recebia propina para não fazer nada contra as entidades que descontavam indevidamente dos beneficiários. Em troca, assinava despachos que liberavam R$ 15,3 milhões em descontos indevidos para a Conafer. Ou seja, o ex-ministro transformava sua inação em moeda de troca.
O dinheiro da propina vinha de Cícero Marcelino, apontado como operador da Conafer. Mas não era transferência direta. A PF descobriu um esquema de triangulação bancária envolvendo cheques de Marcelino e um operador financeiro chamado Nemer Chiah, também indiciado. Chiah é comerciante na rua 25 de Março em São Paulo e simulava transações informais de venda de cosméticos e perfumes para converter os cheques em dinheiro destinado à propina repassada a Oliveira.
O esquema revela como a corrupção funciona nos bastidores. Não é apenas um político recebendo dinheiro. É uma rede de operadores, intermediários e simulações de negócios para camuflar o fluxo de recursos. Cada pessoa tem seu papel. Marcelino articula, Chiah converte, Oliveira autoriza. E no final, quem paga a conta são os aposentados que veem seus benefícios reduzidos por descontos que nunca deveriam ter acontecido.
O que torna o caso ainda mais grave é a escala. Estamos falando de R$ 6 bilhões desviados de pessoas que dependem desses recursos para viver. Aposentados e pensionistas que já enfrentam dificuldades financeiras tiveram seus benefícios comprometidos enquanto autoridades públicas recebiam propina para ignorar o problema.


