A aprovação do governo Lula atingiu 48% e ficou acima da desaprovação, que está em 47%. É o melhor resultado para o presidente desde o fim de 2024. A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que três iniciativas econômicas estão funcionando para melhorar a imagem do governo: o programa Desenrola 2.0 para renegociação de dívidas, o avanço das discussões sobre o fim da escala 6×1 e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Felipe Nunes, diretor da Quaest, explica o movimento. “A aprovação do governo tem uma melhora consecutiva desde abril. E essa melhora é fundamentada em três fatores: o Desenrola diminui as dívidas dos brasileiros, a discussão sobre o fim da escala 6×1 cria a expectativa de que as pessoas vão poder trabalhar menos e ter mais qualidade de vida, e a isenção do IR finalmente começa a chegar em setores importantes da sociedade.”
A trajetória da aprovação revela uma recuperação consistente. Um ano atrás, 53% desaprovavam a gestão e 43% aprovavam. Eram dez pontos de diferença. Em abril, a desaprovação estava em 52% e a aprovação em 43%, uma diferença de nove pontos. Agora, os números se inverteram.
Lula também lidera nos cenários eleitorais. No primeiro turno, tem 40% contra 28% de Flávio Bolsonaro. Nos quatro cenários de segundo turno, Lula aparece com 45%, oito pontos à frente de Flávio, que tem 37%.
O grande movimento está acontecendo entre os eleitores independentes, aqueles que não se consideram nem de direita, nem de esquerda, nem bolsonaristas, nem lulistas. Esse grupo corresponde a 33% do total e terá papel decisivo na disputa. Em abril, 58% dos independentes desaprovavam o governo. Agora, são 45%. A aprovação entre eles subiu de 32% para 45%. Nunes chama isso de “o grande ponto” da pesquisa.
O Desenrola 2.0 está funcionando. Dois terços dos entrevistados sabem do programa para renegociação de dívidas, acima dos 57% de maio, quando foi lançado. Mais importante, 55% consideram que é uma boa ideia do governo. E 35% afirmam que a renda aumentou significativamente após o lançamento, comparado com 30% em junho.
Os números de endividamento também melhoraram. Agora, 31% dizem não ter dívidas, acima dos 27% de maio. Quem tem muitas dívidas caiu de 28% para 21%. O programa atende quem ganha até cinco salários mínimos por mês, ou seja, R$ 8.105, e permite renegociar dívidas atrasadas entre 90 dias e dois anos com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Também libera recursos do FGTS para quitar débitos, permitindo usar até 20% do saldo disponível ou até R$ 1 mil, o que for maior.
O fim da escala 6×1 cria expectativa positiva. A proposta, aprovada na Câmara em maio e ainda aguardando votação no Senado, reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte no salário. Implementação gradual ocorreria em até 14 meses. Sessenta e nove por cento dos entrevistados apoiam a medida. Mais importante, 50% esperam trabalhar menos com a redução da jornada. Até mesmo entre eleitores de direita e bolsonaristas, mais de 40% responderam que esperam trabalhar menos horas.
A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil começou a valer no começo do ano e está gerando impacto. Para 24%, a renda aumentou significativamente, acima dos 15% em fevereiro e 17% em abril. Em fevereiro, 50% afirmavam que não haviam sentido qualquer diferença. Esse índice caiu para 39%. A mudança também criou desconto no IR para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais. Segundo o Palácio do Planalto, cerca de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar Imposto de Renda com a nova lei.
Há um detalhe importante na pesquisa. 51% dos entrevistados ainda acham que Lula não merece mais um mandato. Mas isso representa queda significativa. Em abril, 59% respondiam assim. 45% agora acham que ele deveria ser reeleito.


