A família Bolsonaro decidiu lavar a roupa suja nas redes sociais. Nesta quinta-feira (23), o senador Flávio Bolsonaro publicou um vídeo pedindo desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por “momentos que causaram desconforto” e a convidou para “caminharem juntos na missão de defender o Brasil”. Michelle respondeu em seguida, aceitou o pedido e sugeriu uma conversa para “ajustar os detalhes” da reconciliação.
O timing não poderia ser mais conveniente. A convenção nacional do PL acontece neste sábado (25), em São Paulo, e Flávio ainda não anunciou quem será seu vice na chapa presidencial. Enfrenta resistência da federação União-PP e do Republicanos a nível nacional. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, disse ao jornal O Globo que não espera a participação de Michelle no evento, mas avaliou que ela “tem tudo” para se eleger senadora. Segundo ele, a ex-primeira-dama estaria disposta a se conciliar desde que Flávio se manifestasse. Pois ele se manifestou.
A crise entre os dois vem de junho. No dia 24, Michelle publicou vídeos afirmando ter sido maltratada e humilhada pelo enteado. Contou que tentou ligar e ele não atendeu. Quando retornou, foi “ríspido” e disse que ela deveria ficar “fora das decisões do partido”. A briga envolvia o palanque do PL no Ceará, onde o partido tentou se aliar com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), apoio criticado por Michelle. A ex-primeira-dama chegou a deixar a presidência do PL Mulher. Flávio, na época, negou ter desrespeitado qualquer mulher.
Jogada ensaiada?
A trégua publicitária também serve para desviar a atenção de outros problemas. Na terça-feira (21), Flávio atacou as urnas eletrônicas com afirmações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Aliados alertaram que o discurso pode afastar eleitores independentes. No mesmo período, veio à tona que o escritório de advocacia do senador emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a empresa Copenhagen, que recebeu repasses do Banco Master. Flávio afirmou que não aceitou trabalhar para a empresa e que as notas foram canceladas. “Estou tendo que explicar por que eu não recebi o dinheiro”, justificou.
A reação da base bolsonarista foi de alívio. A senadora Damares Alves celebrou a trégua e declarou amor a Michelle e à governadora do DF, Celina Leão. A deputada Bia Kicis escreveu que vão “trabalhar juntos por um Brasil melhor”. O deputado Nikolas Ferreira afirmou que “pacificar é essencial para a vitória” e que o recado de Flávio à militância é “focar no inimigo”. Já o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, resumiu com uma frase pronta: “Deus é grande! Só os grandes pedem perdão e se perdoam.”
O roteiro é conhecido. Desentendimento público, crise na família, queda de braço exposta, pedido de desculpas em vídeo, resposta imediata, comemoração da militância e todos seguindo em frente como se nada tivesse acontecido. Michelle passou quase um mês sem postar no Instagram. Voltou com um vídeo aceitando desculpas e uma foto ao lado de Flávio. A convenção é sábado. A chapa ainda não está fechada. As notas fiscais ainda não foram explicadas. As urnas eletrônicas continuam sendo alvo de ataques desmentidos. Mas a família está unida, pelo menos nas redes.


