
Em uma noite que deveria ser de negociação, o que Flávio Bolsonaro ouviu foi um “obrigado, não”. O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), comunicou ao senador pelo PL-RJ que o partido não fechará aliança com sua candidatura e adotará neutralidade na disputa presidencial deste ano.
Antes de sentar com Flávio, Pereira já tinha levado na bagagem um levantamento interno do partido que explicava sozinho o desfecho. Dos 27 diretórios regionais, 17 eram favoráveis à neutralidade. A maioria das seções estaduais simplesmente não queria compromisso com nenhum nome na corrida pelo Palácio do Planalto. A decisão agora é liberar cada estado para apoiar quem bem entender.
A reunião teve também a presença do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Flávio fez mais uma tentativa de segurar o apoio da legenda e reofereceu a vaga de vice em sua chapa. A resposta continuou sendo não.
E aqui o enredo ganha camadas. Flávio queria como companheira de ticket Daniella Marques, do próprio Republicanos e ex-auxiliar de Paulo Guedes no Ministério da Fazenda. O detalhe é que o nome dela esbarra em resistência dentro do partido comandado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que realiza sua convenção nacional nesta terça-feira (4) para oficializar a candidatura própria à Presidência.
Tarcísio, por sua vez, movimentou suas peças com mais vigor para que a vice ficasse com a senadora Tereza Cristina. Os dois cultivam relação estreita desde os tempos em que ambos ocupavam ministérios no governo Bolsonaro. Colocar gente de confiança nos lugares certos sempre foi uma arte na política, e o governador paulista parece ter aprendido a lição.
Para Flávio, o horizonte não é totalmente cinzento. Um levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda apontou crescimento de quatro pontos percentuais no cenário de primeiro turno. O entorno do presidenciável enxergou nesse dado um trunfo de última hora para tentar costurar apoios na reta final. O avanço nas pesquisas e o envolvimento de Tarcísio e de Nunes acabaram virando a cartada final para pressionar alianças.
O problema é que trunfo de pesquisa anima torcida, mas não fecha acordo com partido grande. E o Republicanos, que carrega o peso de ter Tarcísio como candidato, escolheu a saída mais cômoda: não comprometer ninguém, não declarar guerra a ninguém, e deixar que cada diretório estadual decida com quem vai dormir na véspera do primeiro turno.



