Senado dos EUA aprova Daniel Perez como embaixador no Brasil

Daniel Perez

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira, 7 de agosto de 2026, a indicação de Daniel Perez para o posto de embaixador americano no Brasil. A votação foi apertada: 51 votos a favor e 47 contra. Perez, filho de cubanos e republicano, foi escolhido por Donald Trump em junho para ocupar uma cadeira vazia desde que o presidente retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Até aqui, tudo pareceria um trâmite administrativo. Mas a relação entre os dois países anda tudo menos amistosa. Para que Perez assuma oficialmente a embaixada em Brasília, falta uma etapa: o chamado agrément, que é a autorização formal do governo brasileiro para que um embaixador estrangeiro entre em função. E é exatamente esse aval que está parado no Itamaraty.

O imbróglio começou quando a Casa Branca tornou público o nome de Perez antes de concluir as consultas reservadas que normalmente antecedem a apresentação formal de um candidato ao país anfitrião. O Itamaraty se incomodou com a quebra de protocolo. Washington reagiu dizendo que o governo brasileiro estava demorando para responder. Brasília sustentou que o pedido seguia em análise dentro dos procedimentos diplomáticos habituais.

Em vez de resolver a divergência por canais discretos, a tensão subiu de tom. Na terça-feira, 4 de agosto, o Departamento de Estado americano revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, afirmando que a medida era uma resposta à demora na autorização de Perez. O governo americano deixou claro que a decisão poderia ser revista caso o Brasil concedesse o agrément. Uma retaliação com data marcada para ser desfeita, desde que o outro lado ceda.

O detalhe que torna tudo mais tenso: essa medida veio apenas 10 dias depois de o Itamaraty ter negado vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado. O Planalto e a chancelaria brasileira classificaram a revogação do visto da embaixadora como parte de uma escalada de ações hostis por parte dos Estados Unidos. Integrantes da diplomacia brasileira rejeitaram a justificativa de Washington e criticaram o uso do nome de Perez como moeda de troca.

Mais da metade dos postos de embaixador dos Estados Unidos estão vagos, segundo uma associação do setor. Ou seja, o país que quer acelerar a nomeação de seu representante em Brasília tem mais da metade de suas embaixadas pelo mundo sem titular. Mesmo assim, o caso do Brasil ganhou contornos de desgaste que extrapolam a rotina burocrática.

Com a aprovação no Senado americano, Perez superou a última etapa do processo interno nos Estados Unidos. Agora a decisão está nas mãos do Itamaraty. Conceder o agrément significa ceder à pressão. Negar significa alimentar um conflito que já rendeu retaliação visível entre as duas chancelarias. Qualquer caminho escolhido vai deixar marcas na relação bilateral, e quem acompanha diplomacia sabe que esse tipo de cicatriz costuma demorar a cicatrizar.