O banqueiro Vorcaro, dono do Master, está mobilizando uma operação de guerra para tentar aprovar a terceira versão de sua delação premiada. Segundo reportagem de Eduardo Gonçalves, no jornal O Globo, publicada nesta terça-feira (12), ele se reúne diariamente com seus advogados e determinou uma busca exaustiva em arquivos para encontrar material que fortaleça seu acordo de colaboração. A intenção é pedir ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, mais tempo para conversas com o banqueiro, já que as duas tentativas anteriores não vingaram.
A defesa ganhou reforços de peso. Além de Bialski e de Sérgio Leonardo, amigo pessoal de Vorcaro e integrante da equipe desde o começo do caso, entrou na jogada o advogado Cézar Bittencourt. O nome não é qualquer um: Bittencourt foi o responsável pela delação do tenente-coronel Mauro Cid, que serviu como uma das bases da denúncia que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro na Corte pela trama golpista. Ou seja, o banqueiro foi buscar alguém que já provou saber como costurar um acordo de delação que prende gente importante.
Pessoas próximas ao banqueiro descrevem um homem “hiperfocado” em responder às suspeitas que o apontam como chefe de um esquema de fraudes financeiras. Ao mesmo tempo, demonstra abatimento e desconfiança com as decisões da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Faz sentido: quando a PF e a PGR não compram sua versão dos fatos, a saída é tentar de novo com outra narrativa. E depois outra. Até ver se uma cola.
A terceira versão de uma delação já tem algo de constrangedor por definição. As duas primeiras não convenceram, o que significa que ou o banqueiro não tinha fatos suficientes para barganhar, ou tentou vender uma narrativa que não se sustentou diante das evidências. Agora, com um time reforçado e uma devassa documental em andamento, a aposta é que o terceiro seja o número da sorte. Pode até ser. Mas também pode ser a confirmação de que, sem provas que interessem de fato aos investigadores, nenhuma reformulação de advogado resolve o problema.

