Por Cleber Lourenço, Igor Melo e Paulo Motoryn / ICL Notícias
O contrato para que o Havengate, fundo ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, financiasse a produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, foi assinado depois do primeiro repasse feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro. As informações constam em um laudo pericial elaborado pela defesa da produtora Go Up Entertainment, responsável pela execução do longa metragem.
Conversas reveladas pelo site The Intercept Brasil mostraram o senador e agora candidato do PL à Presidência negociando, reiteradamente, repasses milionários com o dono do Banco Master com a justificativa de arcar com as despesas da produção cinematográfica.
A perícia apresentada ao Tribunal de Justiça de São Paulo indica que todo o dinheiro utilizado para financiar a produção do filme –US$ 13,39 milhões, cerca de R$ 69 milhões na cotação desta quarta-feira (26)– veio do fundo Havengate.
O valor custeou tanto despesas de produção no Brasil, registradas em US$ 3,7 milhões (pouco mais de R$ 19,1 mihões), quanto nos Estados Unidos –US$ 9,66 milhões, ou R$ 49,8 milhões.
Repasses de Daniel Vorcaro ao fundo Havengate
A assinatura do contrato entre o fundo sediado nos Estados Unidos e a Go Up Entertainment ocorreu no dia 24 de fevereiro de 2025, segundo laudo pericial a cujo conteúdo o ICL Notícias teve acesso. Documentos publicados originalmente pelo site The Intercept Brasil comprovam que a primeira transferência feita a mando de Vorcaro ocorreu 11 dias antes.
Um comprovante bancário SWIFT revelado pelo Intercept mostra que, em 13 de fevereiro de 2025, US$ 2 milhões foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate.
No dia seguinte, Fabiano Zettel encaminhou o comprovante ao banqueiro Daniel Vorcaro acompanhado da mensagem “Filme!”.
As conversas obtidas pelo veículo mostram que Vorcaro e Zettel discutiam a operação financeira e dificuldades para realizar as remessas internacionais.
O pagamento de US$ 2 milhões integra um cronograma de financiamento que previa quase US$ 24 milhões e que, segundo os documentos publicados, registrou ao menos US$ 10,6 milhões em pagamentos ao fundo americano.
O laudo apresentado pela Go Up, não informa, ao descrever a relação contratual com o Havengate, a existência de documento anterior que explique a vinculação da primeira remessa ao projeto.


