O senador Omar Aziz (PSD-AM) divulgou nesta quinta-feira (27) o relatório da PEC que acaba com a escala 6×1. O congressista atendeu ao governo Lula e manteve exatamente o texto aprovado pela Câmara em maio, rejeitando todas as emendas apresentadas. Com isso, a proposta fica pronta para ser votada na próxima quarta-feira (2) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Segundo reportagem de Augusto Tenório, publicada pela Folha de S.Paulo, o governo corre contra o tempo para aprovar a medida antes da eleição e usar a conquista como bandeira de campanha.
A estratégia do relator é clara e pragmática. Se o Senado alterasse uma vírgula no texto, a proposta teria que voltar para a Câmara, o que praticamente enterraria qualquer chance de promulgação antes de outubro. O Congresso só tem mais uma semana de funcionamento, entre 31 de agosto e 4 de setembro, antes do pleito. Em ano de eleição, deputados e senadores somem nas campanhas e o calendário legislativo se esvazia. Aziz entendeu o recado: ou o texto sai limpo, ou não sai.
A pauta do fim da escala 6×1 é uma das prioridades da agenda de reeleição de Lula e estava travada no Senado há meses. O desbloqueio veio depois da reaproximação entre o presidente e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O armistício entre os dois saiu depois de meses de vaivéns e de um distanciamento marcado por derrotas impostas por Alcolumbre ao governo, sendo a mais dolorosa a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF.
A reaproximação tem troco. Segundo aliados ouvidos pela Folha, Alcolumbre busca assegurar o apoio do PT à sua permanência no comando do Senado em 2027. O governo, por sua vez, não fala sobre o assunto abertamente, mas entende que a reeleição do amapaense na presidência da Casa interessa ao Planalto. Interlocutores de ambos os lados sinalizam que uma nova reunião entre os dois pode ocorrer ainda esta semana.
O que estamos vendo é a engrenagem clássica de Brasília funcionando com precisão.


