Em 2023, Flávio Bolsonaro enviou no Senado uma emenda de 200 mil reais para um projeto em área de milícia no Rio, a pedido de Robson Calixto Fonseca, o Peixe, preso por envolvimento no assassinato de Marielle Franco. A informação é da Revista Piauí, uma reportagem de Breno Pires, publicada nesta segunda-feira. Clique AQUI para ler o texto na íntegra
Peixe foi apontado por Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora, como o elo entre os matadores e os mandantes, os irmãos Brazão, e quem providenciou a submetralhadora usada no crime. Foi condenado em fevereiro por atuar como braço operacional da organização dos Brazão.
As mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram o passo a passo. Em 24 de outubro de 2023, Peixe escreveu a uma assessora do gabinete, salva no celular como “Fafa Flávio Bolsonaro”: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar.” Ela pediu a solicitação por escrito e, dois dias depois, orientou o miliciano a comparecer a uma cerimônia do gabinete e “reforçar o pedido com senador”, levando junto Chiquinho Brazão, depois condenado como mandante do crime.
Em 6 de novembro, Peixe insistiu: “vê se o Senador consegue nos agraciar”. A assessora respondeu: “Pode deixar.” Vinte e três dias depois, o Ifop, ONG da Taquara, recebeu R$ 199.999,79 da emenda de Flávio, que integrou um projeto de futebol infantil. A assessora ainda pediu a Peixe quatro ingressos para camarote no Carnaval, classificada pela investigação como “vantagem indevida”. O TCU apontou irregularidades no uso da verba.
Segundo apuração da PF revelada pelo O Globo, Peixe intermediava recursos de emendas para uma rede de ONGs dos Brazão, que recebeu R$ 268 milhões entre 2020 e 2024. Não é a primeira aproximação de Flávio com milicianos: em 2003 e 2005, ele homenageou Adriano da Nóbrega, depois apontado como líder da milícia de Rio das Pedras e do Escritório do Crime. Flávio, Peixe e a assessora não responderam à revista.
Quando o candidato presidencial se apresenta como defensor da ordem, o celular de um condenado que o chama de “nosso Senador” enquanto negocia dinheiro público conta outra história.


