O governo de Donald Trump anunciou, nesta segunda-feira, sanções contra autoridades latino-americanas que tenham supostamente atuado contra as democracias. Juízes, procuradores, autoridades e políticos acusados de “corrupção” foram alvos de sanções e restrição de vistos para entrar nos EUA. A iniciativa envolve, por enquanto, autoridades bolivianas, peruanas, colombianas e equatorianas.
Entre os alvos da Casa Branca está Albania Chane Cabellero, juíza boliviana que decretou a prisão de Fernando Cerimedo, um aliado dos bolsonaristas e denunciado por divulgação de desinformação eleitoral na América Latina.
O Brasil não faz parte da lista. Mas a iniciativa sugere que, se Flávio Bolsonaro cumprir sua promessa de campanha e colocar o Brasil na mesma aliança, medidas similares serão adotadas contra brasileiros.
Além disso, o instrumento permite que a Casa Branca adote sanções sempre que considerar que alguma autoridade de qualquer país está violando o que Washington acredita ser o resultado “correto” de uma eleição.
“Sob a administração Trump, autoridades estrangeiras corruptas não podem mais entrar livremente nos Estados Unidos”, anunciou Washington. “Hoje, o Departamento de Estado está tomando medidas para cumprir os compromissos de defender a governança democrática em todo o nosso hemisfério contra a corrupção e o narcotráfico — compromissos assumidos na Cúpula de Doral e reafirmados na declaração dos líderes da iniciativa “Escudo das Américas” de 22 de setembro”, afirmou.
Segundo o governo, em consonância com essa declaração, que estabelece o compromisso de coordenar sanções, designações e ações financeiras contra terroristas e criminosos que minam a segurança, o Estado de Direito e a democracia, o Departamento anuncia uma nova política de restrição de vistos.
“Essa política restringe a concessão de vistos a cidadãos estrangeiros — e seus familiares imediatos — que minem um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico em nossa região”, alertou.
“Minar um governo democraticamente eleito representa uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas e não será tolerado”, insistem.
“Trata-se de um mecanismo duradouro que permite aos Estados Unidos agir rapidamente, em coordenação com nossos parceiros, à medida que surgem evidências”, explica.
Por enquanto, o Departamento de Estado está tomando medidas imediatas para impor restrições de vistos sob essa política, em apoio aos demais participantes da iniciativa “Escudo das Américas”.


