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Estados Unidos declaram “Este é nosso hemisfério” após captura de Maduro na Venezuela

Data: 5 de janeiro de 2026

O Departamento de Estado dos Estados Unidos resolveu postar nas redes sociais uma frase que é de arrepiar qualquer pessoa que entende minimamente de geopolítica. Depois de sequestrarem Nicolás Maduro na Venezuela, os americanos publicaram no X uma imagem com Trump em preto e branco e os dizeres “Este é nosso hemisfério”, com a palavra “nosso” bem destacada em vermelho, para ninguém ter dúvida do recado. Sim, você leu certo, eles literalmente declararam propriedade sobre a América Latina inteira.

A coisa fica ainda mais pesada quando você percebe que não foi um post isolado de algum funcionário empolgado, não. Foi uma ação coordenada do governo americano, com postagem idêntica em espanhol e até artigo oficial da Casa Branca repetindo a mesma frase. O secretário de Estado Marco Rubio, que é filho de cubanos e conhece bem essa região que agora chama de “nossa”, saiu dando entrevistas para reforçar que Trump tem um compromisso “inquebrantável” de não deixar o Hemisfério Ocidental virar refúgio para traficantes, aliados do Irã ou regimes hostis aos Estados Unidos.

Vamos traduzir essa conversa diplomática para português claro: os Estados Unidos acabaram de avisar para o mundo inteiro que consideram a América Latina como quintal da casa deles. Rubio foi direto ao ponto numa dessas entrevistas, falando que “o Hemisfério Ocidental é onde vivemos, e não vamos permitir que ele seja uma base de operações para adversários, concorrentes ou rivais dos Estados Unidos”. Imagina assim, é como se o seu vizinho chegasse na sua casa e dissesse que o seu quintal agora faz parte da propriedade dele porque ele não quer bandido circulando por ali.

Enquanto isso, Maduro foi levado para Nova York acusado de narcoterrorismo e outros crimes, se declarou inocente numa audiência judicial, e a Venezuela ficou nas mãos da vice-presidente Delcy Rodríguez como interina. O Tribunal Supremo de Justiça venezuelano e as Forças Armadas do país reconheceram ela no cargo por 90 dias, numa decisão que cheira a coordenação com Washington. Trump, quando perguntado sobre quem estava no comando da Venezuela, deu uma resposta que deveria estar estampada em todos os jornais do continente: “Isso significa que nós estamos no comando”.

Pronto, está aí a confissão. Não é teoria da conspiração, não é interpretação exagerada de analista político. É o presidente dos Estados Unidos dizendo na lata que eles estão no comando de um país soberano da América do Sul. Essa declaração aberta de domínio imperial sobre nosso continente deveria estar causando protestos em todas as capitais latino-americanas. Vivemos tempos em que a Doutrina Monroe do século 19 volta com força total, só que agora sem nem tentar disfarçar com diplomacia ou justificativas humanitárias. É o imperialismo americano nu e cru, assumindo publicamente que considera nossa região como território sob sua jurisdição.

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