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Presidentes da Câmara e Senado fogem novamente do ato de 8 de Janeiro: a democracia órfã no Congresso

Data: 7 de janeiro de 2026

Olha só que coisa, gente: pelo terceiro ano consecutivo, os presidentes da Câmara e do Senado vão ignorar o ato em defesa da democracia do 8 de Janeiro. Hugo Motta e Davi Alcolumbre simplesmente não vão aparecer na cerimônia desta quinta-feira no Planalto, repetindo o roteiro patético dos seus antecessores. É isso mesmo que vocês estão ouvindo: o Congresso Nacional, que foi o primeiro prédio atacado pelos golpistas em 2023, continua fazendo corpo mole na hora de defender a democracia.

A coisa é tão escandalosa que nem Arthur Lira, que comandava a Câmara antes, nunca botou os pés nesses atos. Em 2024, alegou problema de saúde na família e sumiu. Em 2025, nem deu desculpa, simplesmente não foi. Agora Hugo Motta, que herdou a cadeira, segue a mesma cartilha de fazer vista grossa. E olha que interessante: diferente do STF e do Planalto, o Legislativo nem se deu ao trabalho de organizar uma cerimônia própria para marcar a data.

Tanto Motta quanto Alcolumbre foram eleitos para os comandos das suas respectivas casas com apoio de partidos e parlamentares alinhados ao Bolsonaro. Sim, aquele mesmo Bolsonaro que incentivou e articulou os ataques que destruíram o Congresso. Então esses caras estão numa sinuca de bico: como é que vão defender a democracia contra um golpe se devem o cargo também aos golpistas? É o famoso jogo de cintura político levado ao extremo da cara de pau.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, não teve papas na língua e foi direto ao ponto: “Hugo e Alcolumbre querem se reeleger e jogam dos dois lados. A política não conseguiu criar um movimento amplo de rechaço à tentativa de golpe”. Traduzindo do politiquês para o português: esses caras estão se lixando para a democracia, o que importa mesmo é manter o poder e agradar a bancada bolsonarista que os sustenta. É uma vergonha nacional, mas é exatamente isso que está acontecendo.

Agora tem gente tentando justificar essa ausência com a história do projeto de anistia aos golpistas que o Congresso aprovou e que o Lula deve vetar. Mas isso é conversa para boi dormir, porque como o próprio Lindbergh explicou, se eles fossem ao ato, o veto aconteceria no dia seguinte, não durante a cerimônia. A decisão de não ir foi puramente política mesmo, uma escolha consciente de não se posicionar contra o golpismo que os sustenta no poder.

E vamos lembrar de uma coisa que não pode ser esquecida: o Congresso Nacional foi o primeiro alvo dos ataques em 8 de janeiro de 2023. Mais de 400 computadores destruídos só na Câmara, sem contar televisores, telefones, móveis e 186 obras de arte danificadas. O prejuízo material chegou a 12 milhões de reais, e o valor das obras afetadas passou dos 20 milhões. Ou seja, esses caras que hoje comandam o Legislativo estão literalmente virando as costas para o fato de que o local onde trabalharam foi invadido e depredado por uma horda de vândalos golpistas.

O que estamos vendo aqui é a consolidação de uma estratégia política nojenta: normalizar o golpismo para manter o poder. Enquanto isso, a democracia brasileira fica órfã no Congresso, sem quem a defenda na casa que deveria ser o templo da representação popular. Mas o povo brasileiro não é bobo e está vendo essa palhaçada toda. A história vai cobrar de cada um desses políticos que escolheram o lado errado quando a democracia precisava deles.

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