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Polícia de São Paulo bate recorde de letalidade pelo terceiro ano consecutivo

Data: 30 de janeiro de 2026

O governador Tarcísio de Freitas chegou ao seu terceiro ano de mandato comemorando números que, no papel, parecem uma maravilha. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, os homicídios e roubos caíram no estado em 2025, atingindo patamares historicamente baixos. O problema é que essa suposta paz esconde um rastro de pólvora que não para de crescer. A polícia de São Paulo nunca matou tanto.

O estado registrou 834 mortes causadas por policiais civis e militares ao longo do ano passado. Esse é o terceiro aumento seguido na letalidade policial desde que Tarcísio assumiu a cadeira no Palácio dos Bandeirantes. O último trimestre de 2025 foi especialmente sangrento, com um recorde de 276 mortos em ações oficiais. É como se o governo estivesse tentando apagar incêndio com gasolina, vendendo a ideia de que a segurança só funciona na base do confronto direto e do silenciamento definitivo.

Para entender essa mágica dos números, a gente precisa conectar os pontos que o discurso oficial prefere deixar espalhados. A queda nos assassinatos no estado não é necessariamente um troféu para a eficiência da gestão atual. Leonardo Silva, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta na reportagem da Folha de S. Paulo que existem outros fatores no tabuleiro. O monopólio do crime organizado pelo PCC, que impõe sua própria ordem através de tribunais paralelos para evitar conflitos que chamem a atenção da polícia, é um deles. Além disso, a população brasileira está envelhecendo e jovens adultos, que são as principais vítimas e autores de violência, estão em menor número nas ruas.

Enquanto o secretário de segurança, Osvaldo Nico Gonçalves, enche o peito para falar em fortalecimento de ações e inteligência, a realidade da Polícia Civil é de puro sucateamento. Sem investimento real em investigação, a capacidade de solucionar crimes fica comprometida.

O resultado é esse cenário onde a capital paulista vai na contramão do estado e vê os homicídios e furtos subirem. Na cidade de São Paulo, o aumento foi de seis por cento, quebrando uma sequência de quatro anos de melhora.

A situação das mulheres também é desesperadora e mostra que o papo de proteção é só para inglês ver. O estado bateu o recorde de 270 feminicídios em 2025. Na capital, o salto foi de mais de vinte por cento. É uma denúncia direta de que a estrutura de segurança está focada em operações cinematográficas e letais no litoral, mas deixa as mulheres desamparadas dentro de suas próprias casas. O governo prefere investir em munição do que em políticas de prevenção que realmente salvem vidas.

No fim das contas, o que temos é um projeto político que usa a força bruta como propaganda eleitoral. Tarcísio mantém a linha de que a polícia deve ser agressiva, ignorando que a letalidade recorde não resolve o problema do furto de celular no ponto de ônibus ou o medo da mulher que sofre violência doméstica.

A segurança pública de São Paulo está sendo transformada em um balcão de negócios onde a vida humana vale muito pouco e o marketing político vale tudo. O governo jura que está tudo sob controle, mas os corpos acumulados no último trimestre mostram que o preço dessa tranquilidade de fachada é alto demais para a democracia.

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