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Em noite de críticas ao ICE, Trump surta com o apresentador do Grammy e ameaça processo

badbunny

Data: 2 de fevereiro de 2026

A noite que deveria ser de celebração da música transformou-se em um campo de batalha político. Enquanto o Grammy 2026 consagrava a genialidade brasileira de Caetano Veloso e Maria Bethânia, o cenário em Washington era de fúria e retaliação. Donald Trump, acuado pela sombra de arquivos recém-revelados, escolheu o ataque como defesa.

O alvo da vez foi o comediante Trevor Noah. Em uma piada que tocou na ferida aberta do republicano, Noah ironizou o desejo de Trump pela Groenlândia, sugerindo que, com o fim da ilha de Jeffrey Epstein, o ex-presidente precisaria de um novo refúgio para “passar o tempo” com Bill Clinton. A reação foi imediata e virulenta: Trump usou sua rede, a Truth Social, para chamar Noah de “perdedor sem talento” e ameaçar um processo por difamação.

“Esse é um Grammy que todo artista quer quase tanto quanto Trump quer a Groenlândia. O que faz sentido, já que a ilha de Epstein não existe mais, ele precisa de uma outra para ficar passando tempo com Bill Clinton”, disse Noah.

A cortina de fumaça e os fatos A irritação de Trump não é gratuita. O pano de fundo é a divulgação, pelo Departamento de Justiça, de 3 milhões de páginas sobre o caso Epstein. Entre vídeos e fotos de um submundo de exploração, ressurgem detalhes de uma denúncia de 1994 contra o próprio Trump. O republicano nega, mas a proximidade histórica com o bilionário é um fato que nenhuma postagem em rede social consegue apagar.

Resistência no palco

Enquanto Trump destilava ódio digital, o palco do Grammy ecoava resistência. Bad Bunny e Billie Eilish não mediram palavras contra a truculência do ICE e a política migratória do governo federal. “Ninguém é ilegal em terras roubadas”, disparou Eilish, sintetizando o sentimento de uma classe artística que se recusa a silenciar diante da repressão.

“Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos seres humanos e americanos. O ódio fortalece o ódio. Só o amor é mais forte que o ódio. Então, por favor, precisamos ser diferentes”. Bad Bunny, cantor porto-riquenho premiado pelo Melhor Álbum de Música Urbana.

O triunfo da delicadeza

Em meio ao caos político, o Brasil deu uma aula de dignidade. A vitória de Caetano e Bethânia — com Bethânia tornando-se a primeira brasileira a vencer na categoria de Álbum de Música Global — foi o contraponto perfeito à grosseria que vinha de Washington. A imagem de Caetano, na cama com o neto, celebrando a vitória com simplicidade, é o maior desmentido à megalomania de um presidente que, entre ameaças e processos, parece cada vez mais isolado em sua própria ilha de ressentimento.

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