Ciro Nogueira busca abrigo no colo de Lula para salvar o próprio mandato
Data: 6 de fevereiro de 2026
A política brasileira resolveu dar um nó na cabeça de quem ainda acredita em fidelidade partidária absoluta. Enquanto o país ainda digeria as rabanadas de Natal, o senador Ciro Nogueira, aquele que foi o pulmão do governo Jair Bolsonaro, resolveu bater na porta da Granja do Torto para uma conversa regada a café e sobrevivência política com o presidente Lula. O encontro ocorreu no dia 23 de dezembro e foi devidamente escondido da agenda oficial, mas como em Brasília as paredes têm ouvidos e os aliados têm língua solta, os detalhes desse abraço de tamanduá vieram à tona.
Para quem não está ligando o nome à pessoa, Ciro Nogueira preside o PP e foi o chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Agora, ele parece ter percebido que o vento no Piauí sopra forte para o lado do PT e que, sem uma ajudinha do Palácio do Planalto, sua cadeira no Senado pode virar fumaça em outubro. A estratégia é tão velha quanto o hábito de prometer obras em ano eleitoral.
Ciro quer que Lula apoie apenas um candidato forte para as duas vagas de senador no Piauí, deixando o caminho livre para ele abocanhar a segunda vaga. Em troca, ele oferece uma neutralidade do PP na disputa presidencial, prometendo não carregar o partido para o colo de Flávio Bolsonaro.
É a política do toma lá dá cá elevada ao estado de arte. O senador fez questão de levar o presidente da Câmara, Hugo Motta, como uma espécie de fiador do encontro. Ciro trata Motta como um filho político e usa essa proximidade para azeitar as engrenagens com o governo que ele passava os dias criticando nas redes sociais.
Segundo relatos confirmados à imprensa por cinco pessoas próximas à negociação, o clima foi de tamanha cordialidade que teve até troca de juras de afeição. Ciro lembrou que foi um dos primeiros a reconhecer a vitória de Lula em 2022, um sinal claro de que a lealdade dele tem o prazo de validade de um mandato.
O problema é que essa conta não fecha tão fácil para o pessoal do PT no Piauí. O governador Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias nem foram avisados do regabofe natalino. No estado onde Lula teve quase 77 % dos votos, o PT não está nem um pouco a fim de estender o tapete vermelho para quem os abandonou na primeira oportunidade. O presidente estadual do partido, Fábio Novo, já avisou que Ciro se elegeu duas vezes com o aval de Lula e depois traiu o acordo. Como diz o ditado popular, quem apanha não esquece, e os petistas piauienses não querem errar pela terceira vez com o mesmo personagem.
Essa movimentação mostra que, no tabuleiro de Brasília, a ideologia é apenas um acessório que se troca conforme a estação. Ciro Nogueira está jogando todas as suas fichas para não ficar sem mandato, mesmo que isso signifique abraçar o adversário que ele jurou combater. O senador teme o isolamento e sabe que o Piauí é um território onde o lulismo é quase uma religião. Se ele conseguir neutralizar a máquina federal, ganha fôlego para usar sua influência com os prefeitos do interior e garantir mais oito anos de foro privilegiado e poder.
O que vemos aqui é o puro suco do pragmatismo que ignora o eleitorado que acredita em polarização. Enquanto os militantes brigam na mesa do bar, os líderes se acertam nos palácios. A política brasileira é uma dança das cadeiras onde o objetivo não é a música, mas garantir que você nunca fique de pé quando ela parar de tocar. Resta saber se Lula vai realmente aceitar esse beijo de Judas em troca de uma governabilidade que sempre cobra um preço alto demais. As informações sobre esse encontro foram apuradas e confirmadas por fontes políticas de ambos os lados da negociação.




