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Panetone, peru, conheça a lista absurda de auxílios que inflaciona salários

O ministro Flavio Dino em audiência no STF

Data: 6 de fevereiro de 2026

Chega a ser ofensivo para quem rala o mês inteiro para pagar o boleto da luz ver como a elite do funcionalismo público brasileiro trata o dinheiro do povo. O ministro Flávio Dino resolveu abrir a caixa-preta dos famosos penduricalhos e deu um basta na farra das gratificações que não têm pé nem cabeça. Na última quinta-feira o magistrado do Supremo Tribunal Federal determinou que os Três Poderes revisem e suspendam imediatamente esses auxílios inventados que servem apenas para esticar o salário além do limite permitido pela Constituição.

Para quem não está por dentro do juridiquês esses penduricalhos são verbas indenizatórias e gratificações que aparecem no contracheque como se fossem reembolsos mas na verdade são salários disfarçados. É o jeitinho que encontraram para furar o teto de R$ 46 mil que é o máximo que um ministro do Supremo pode ganhar.

Dino foi direto ao ponto e explicou que muitas dessas indenizações têm natureza de remuneração e por isso deveriam respeitar o limite imposto pela lei. De acordo com informações do portal g1 o ministro deu sessenta dias para que o Executivo o Legislativo e o Judiciário coloquem ordem na casa.

A lista de invenções é criativa e daria inveja a qualquer roteirista de ficção. Tem de tudo um pouco como a licença compensatória de um dia de folga para cada três trabalhados que o servidor ainda pode vender para receber em dinheiro vivo. Dino notou que essa irregularidade se soma ao descanso de fins de semana e feriados transformando o trabalho em um intervalo entre folgas remuneradas.

Existem também as gratificações por acervo processual no Judiciário e por acúmulo de funções extras exercidas dentro do horário normal de expediente. É como se o trabalhador ganhasse um bônus por simplesmente fazer o que já é sua obrigação durante o dia útil.

O festival de auxílios continua com verbas para combustível e locomoção pagas para quem nem sequer comprova que tirou o carro da garagem para trabalhar. Tem auxílio educação sem comprovante de gasto com escola e auxílio saúde pago mesmo para quem não tem plano nenhum. A cereja do bolo são os benefícios de fim de ano batizados de auxílio peru ou auxílio panetone. O ministro ressaltou que apesar dos nomes engraçados essas verbas violam frontalmente a regra do teto e se tornaram um vício recorrente nos últimos anos.

Dino deixou claro que sua decisão não mexe nos salários aprovados por lei nem nos reajustes recentes votados pelo Congresso. O alvo são as verbas criadas sem votação legislativa que brotam de resoluções internas para engordar os ganhos de quem já ganha muito. É a velha história de quem está no topo da pirâmide criando regras próprias para não sentir o peso da realidade do resto do país. A medida é um freio necessário nessa engenharia financeira que transforma o serviço público em um clube de vantagens exclusivas para poucos enquanto o cidadão comum financia a conta.

Essa decisão coloca os Três Poderes em uma saia justa porque agora terão que explicar por que mantêm benefícios que não resistem a uma leitura básica da lei. A transparência e a moralidade administrativa não podem ser apenas palavras bonitas em discursos de posse. O que Dino está exigindo é que a elite burocrática pare de tratar o orçamento como um buffet livre onde cada um se serve com o que bem entende. O prazo está correndo e a sociedade espera que essa revisão não acabe em pizza como tantas outras tentativas de moralizar os gastos públicos no Brasil.

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