Lula barra supersalários e deixa Câmara com a batata quente
Data: 9 de fevereiro de 2026
O presidente Lula já fechou a conta e disse que não vai deixar passar. A decisão está tomada: ele não vai sancionar aqueles supersalários que a Câmara aprovou na semana passada. Ele mesmo teria confirmado isso para lideranças que encontrou na Bahia, e a coluna Mônica Bergamo da Folha de S.Paulo apurou com auxiliares de Brasília que a intenção é mesmo barrar a medida.
A razão é simples e direta. Lula enxerga que o projeto tem a população inteira contra. E ele está certo em pensar assim. Ninguém quer saber de mordomia quando o país está apertado. O momento, na avaliação dele, é de apertar o cinto em despesas que não têm objetivo social. Aumentar salário de servidor público enquanto gente passa fome não é exatamente a melhor opção política.
Mas aqui começa a complicação. Os ministros estão sugerindo que ele simplesmente devolva o projeto à Câmara argumentando que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, já determinou a suspensão daqueles penduricalhos. Sabe o que é penduricalho? São aquelas indenizações e verbas extras que permitem que o salário ultrapasse o teto constitucional de R$ 46.366,19, que é exatamente o que ganha um ministro do STF.
A jogada parece inteligente, mas tem um problema. Se Lula devolver o projeto em silêncio, o Congresso pode considerar que o silêncio significa sanção automática. Aí o aumento vinga mesmo.
A saída mais segura, portanto, é o veto explícito e total. Sem deixar margem para interpretação. Sem deixar brechas. Lula precisa dizer não de forma que ninguém tenha dúvida.
O projeto aprovado pela Câmara é generoso demais. Pode elevar os salários de alguns servidores a quase R$ 80 mil reais. A proposta cria uma nova gratificação para o Legislativo, extinguindo a antiga, e estabelece uma licença compensatória para quem exerce função comissionada. Se o servidor não usar a licença, recebe como indenização um valor em dinheiro, isento de imposto de renda e capaz de ultrapassar o teto constitucional. Há um limite de 10 dias de licença por mês, mas mesmo assim o impacto é pesado. Só para o Senado, o custo estimado é de R$ 198,4 milhões em 2026 e R$ 215 milhões anualizado.
Lula também não pretende endossar aumentos para funcionários do Senado e do TCU. A decisão é abrangente.
O martelo ainda não foi batido porque o projeto aprovado pela Câmara ainda não chegou ao Palácio do Planalto. Quando chegar, aí sim Lula terá que escolher entre o veto explícito ou deixar a bomba explodir nas mãos dele. E ele já sabe qual é a resposta certa.




