Ministério Público e PF fazem operação em SP contra corrupção policial
Data: 5 de março de 2026
Uma operação conjunta do Gaeco do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Federal desarticulou nesta quinta-feira um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da Polícia Civil paulista. O grupo recebia dinheiro para fraudar investigações e destruir provas.
Nove pessoas foram presas. Sete policiais civis da ativa participavam do esquema, além de um ex-policial que hoje atua como advogado. A Justiça também decretou o bloqueio de bens dos investigados e cumpriu 25 mandados de busca e apreensão. Unidades policiais estão entre os endereços visitados.
Quatro policiais tiveram a prisão preventiva decretada. Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, investigador, é apontado como um dos principais articuladores. Rogério Coichev Teixeira, investigador, Ciro Borges Magalhães Ferraz, escrivão, e João Eduardo da Silva, delegado, completam a lista.
O esquema operava em diferentes departamentos da Polícia Civil. O Deic, o 16º DP da Vila Clementino e o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania aparecem como pontos de atuação do grupo. Advogados e doleiros completavam a estrutura criminosa. O dinheiro recebido era lavado por meio de empresas de fachada.
Os indícios de corrupção surgiram na análise de material apreendido na Operação Recidere, realizada pela PF com a Receita Federal em 2023. A ação focava doleiros que enviavam remessas ilegais ao exterior. Nas conversas interceptadas, investigados combinavam ocultar e destruir provas de operações lideradas pela Polícia Civil, incluindo a Operação Fractal, deflagrada em outubro de 2022. O inquérito correspondente tramita há quase cinco anos sem solução.
Uma mensagem interceptada mostra um investigado afirmando que pagou a um agente do DPCC para resolver o problema dos doleiros Meire Poza e Leonardo Meirelles. Dias depois do pagamento, os dois prestaram depoimento na sede do departamento. A frase foi direta. Já está tudo acertado com os caras lá dentro. A Justiça decretou a prisão preventiva de ambos.
Um dos episódios mais reveladores aconteceu na sede do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania, no centro de São Paulo. Suspeitos se encontraram com policiais para trocar um HD apreendido durante buscas na Operação Fractal por um HD vazio. O encontro foi marcado justamente onde deveria haver rigor investigativo. Outro ponto de pagamento de propina foi o hangar da Polícia Civil no aeroporto do Campo de Marte. Um suspeito entregou R$ 50 mil em dinheiro diretamente a um policial.




