A Polícia Federal está prestes a aprofundar investigações sobre crimes financeiros em fundos conectados ao resort Tayayá, que tem participação da empresa da família do ministro Dias Toffoli. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, o ministro não é alvo direto da corporação, mas há expectativa entre os investigadores de que transações relacionadas a ele e seus familiares apareçam nos dados coletados.
A trama envolve quebras de sigilo e análises de movimentações financeiras atípicas. O foco principal recai sobre o fundo Arleen, que integra a rede de fraudes investigada em torno do banqueiro Daniel Vorcaro e do Banco Master. A Maridt, empresa da família de Toffoli, vendeu sua participação no Tayayá em 2021 justamente para o Arleen.
Toffoli admitiu posteriormente ser sócio da Maridt e ter recebido rendimentos pela venda das cotas para o fundo. Essa revelação provocou uma crise que o levou a se afastar da relatoria do inquérito do Master no Supremo. Agora a investigação está sob responsabilidade do ministro André Mendonça.
O Arleen tinha participações em fundos que recebiam investimentos de estruturas ligadas a Vorcaro, incluindo o Maia 95, apontado pelo Banco Central como integrante da suposta fraude. Todos esses fundos compartilhavam a mesma administradora, a Reag, que também é investigada na Operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.
Quando a PF requisitar os Relatórios de Inteligência Financeira ao Coaf sobre transações suspeitas, essas movimentações ligadas a Toffoli chegarão inevitavelmente aos autos. Caso identifique irregularidades, a corporação terá que encaminhar os achados a Mendonça, já que a PF não pode investigar ministro do STF por crimes comuns sem autorização da corte.


