Portal do Ricardo Mello

Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber assessor de Trump na prisão

Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos

Data: 10 de março de 2026

O ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, permissão para receber na Papudinha, em Brasília, a visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump responsável por políticas dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, e qualquer visita ao ex-presidente depende do aval de Moraes, relator do processo que o levou à cadeia.

A escolha do visitante não é casual. Beattie é crítico feroz do governo Lula e da atuação de Moraes na trama golpista. Já classificou o ministro como “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”. No Departamento de Estado americano, ele é descrito como “defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática”, o que, traduzido para linguagem clara, significa que ele usa a retórica de liberdade de expressão para questionar decisões judiciais brasileiras.

A defesa de Bolsonaro pediu que a visita aconteça de forma excepcional no dia 16 ou 17 de março, quebrando a rotina de visitas agendadas para quartas e sábados. Beattie estará no Brasil na próxima semana e participará, segundo fontes ligadas ao governo Trump, de um evento sobre minerais críticos em São Paulo na quarta-feira (18).

O timing da visita ocorre enquanto Washington discute classificar facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como Organizações Terroristas Estrangeiras. O governo brasileiro tenta evitar essa classificação, criando uma dinâmica onde a diplomacia americana pressiona em múltiplas frentes.

Beattie já provocou incidente diplomático com o Brasil. Em meados de 2025, criticou Moraes no X, levando o Itamaraty a convocar o principal diplomata americano em Brasília para explicações. Os EUA chegaram a sancionar o ministro, acusando-o de autorizar detenções preventivas arbitrárias e suprimir liberdade de expressão ao conduzir casos sobre a suposta trama golpista de 2022.

O histórico do assessor de Trump revela alguém com posições controversas. Durante o primeiro mandato de Trump, atuou como redator de discursos da Casa Branca, mas foi demitido em 2018 por ter discursado em evento frequentado por nacionalistas brancos. Na campanha presidencial de 2024, sugeriu que a comunidade de inteligência americana poderia estar por trás de tentativas de assassinar Trump. Também foi acusado de racismo e sexismo por afirmar nas redes sociais que “homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem”.

A solicitação de Bolsonaro para receber Beattie na prisão ilustra como a política externa americana se entrelaça com a justiça brasileira. Moraes terá que decidir se autoriza um encontro que, independentemente da resposta, já comunica algo sobre as relações entre Washington e Brasília.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco × cinco =

Notícias relacionadas