CPI do Crime Organizado aprova quebra de sigilo do doador de campanha de Bolsonaro e Tarcísio
Data: 11 de março de 2026
A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (11), 27 requerimentos de uma vez, incluindo a quebra de sigilo fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e maior doador das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio. A estratégia de votação em bloco, como explicam os parlamentares, funciona quando há consenso.
Mas o prato principal da sessão foi mesmo a aprovação da quebra de sigilos de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. A comissão pediu ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, informações sobre a morte dele.
A CPI também convocou Marilson Roseno da Silva, Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Master. E aprovou quebra de sigilo bancário e fiscal de Mohamad Hussein Murad, o Beto Louco, figura central no esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital.
Na mesma sessão, João Carlos Mansur, fundador da Reag, foi ouvido pela comissão. A empresa é investigada pela Polícia Federal em duas operações por suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro do PCC. Mansur negou as acusações e explicou que sua empresa geria mais de 700 fundos, mas que os questionados representavam menos de 15% do total de sua operação, que gira em torno de R$ 300 bilhões em administração de terceiros.
O relator Alessandro Vieira questionou Mansur sobre os fundos de cotista único. O empresário respondeu que ter apenas um cotista não configura ilegalidade. Usou uma analogia: “O fundo é como um prédio. O administrador é a imobiliária, o gestor é o síndico. E os cotistas do fundo são os donos do prédio.” A Polícia Federal, porém, suspeita que esses fundos exclusivos funcionam como mecanismo de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, justamente porque reduzem a transparência sobre quem é o beneficiário final dos recursos.
A comissão também já havia convidado os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, o ministro da Casa Civil Rui Costa e o comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva.




