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Brasil recusa receber deportados dos EUA e traça limites na cooperação contra crime

Fachada do Itamaraty

Data: 13 de março de 2026

A aproximação entre Brasil e EUA tem seus limites, e o governo Lula acaba de deixar isso bem claro. A Casa Branca pediu ao Brasil que recebesse em suas prisões imigrantes capturados nos Estados Unidos, um modelo que El Salvador já adota em sua penitenciária de alta segurança. Segundo o colunista do ICL Jamil Chade, a resposta brasileira foi direta: não.

O pedido fazia parte de um documento enviado pela administração Trump como parte de um futuro acordo bilateral. Depois de uma crise profunda em 2025, os dois presidentes costuraram uma reaproximação que deveria culminar em uma viagem de Lula à Casa Branca em março, agora sem data marcada. O encontro seria a ocasião para anunciar a retirada de tarifas e lançar parcerias em setores como terras raras e combate ao crime organizado.

Mas a negociação revelou uma realidade incômoda: Trump quer expandir para toda a região um modelo que funciona em El Salvador. O governo americano negocia com vários países da América Latina para que aceitem receber presos estrangeiros em seus sistemas penitenciários. O Brasil, porém, não quer fazer parte dessa engrenagem.

O Itamaraty já comunicou aos EUA que o país não vai virar El Salvador. A mensagem é clara e deixa pouco espaço para interpretação.

A questão do crime organizado segue em terreno mais negociável, mas com ressalvas importantes. Trump quer que o Brasil apresente um plano para acabar com o PCC, o CV, o Hezbollah e organizações criminosas chinesas. O governo Lula não descarta cooperação, mas coloca uma condição: esses grupos não podem ser declarados como organizações terroristas.

A razão é pragmática e preocupante. Se criminosos forem classificados como terroristas, passarão a ser alvos de ataques militares dos EUA, potencialmente em território brasileiro. Os bombardeios americanos contra barcos na costa da Venezuela e da Colômbia nos últimos meses indicam o tipo de procedimento que Trump estaria disposto a usar em toda a região. O governo brasileiro não quer virar palco dessa estratégia.

A reaproximação entre Brasil e EUA continua em andamento, mas o governo brasileiro deixou evidente que cooperação não significa submissão. Há linhas que não serão cruzadas, independentemente de quanto Trump insista.

Leia a coluna de Jamil Chade no site do ICL

1 comentários para “Brasil recusa receber deportados dos EUA e traça limites na cooperação contra crime”

  1. Esse posicionamento do governo brasileiro, bem como as péssimas intenções de Trump deveriam ser mais bem exploradas, para reverter a boataria da extrema direita, que põe Lula como defensor de organizações criminosas.
    É preciso que a comunicação seja didática e, talvez dramática, para mostrar à parte da população que se encanta com a ideia de a raposa ter entrada livre no galinheiro, que o resultado disso não lhes favorece, já que são as galinhas.

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